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Vitamina D pode reduzir riscos de Alzheimer? Especialistas explicam

Vitamina D pode reduzir riscos de Alzheimer? Especialistas explicam

Níveis mais elevados de vitamina D no início da vida adulta podem estar associados a um menor risco de alterações cerebrais ligadas à doença de Alzheimer. Foi o que sugeriu um novo estudo com quase 800 participantes acompanhados por cerca de 16 anos.Publicada na revista científica Neurology Open Access, no início deste mês, a pesquisa avaliou adultos sem demência, com idade média de 39 anos. O grupo de pessoas monitoradas pelo Framingham Heart Study já era seguido para riscos cardiovasculares e demência.Foi analisada a relação entre a concentração de vitamina D no sangue e marcadores cerebrais típicos de doenças neurodegenerativas, como o acúmulo de proteína tau – uma das principais proteínas associadas ao Alzheimer. A neurologista Ana Cláudia Andrade diz que manter níveis normal de vitamina D é uma recomendação para evitar diversos tipos de transtornos | Foto: Fábio Nunes/at Mas de que forma a vitamina D age no cérebro? Segundo o neurologista Jasper Guimarães, ela atua como um hormônio neuroativo.“A vitamina D modula a neuroinflamação, regula o estresse oxidativo, influencia a hiperfosforilação da proteína tau, que é uma das mais envolvidas na doença de Alzheimer. Em níveis adequados, ela reduziria a hiperfosforilação da proteína tau. Além disso, a vitamina D proporciona a eliminação de proteínas anormais de forma geral”, detalhou.Só que, em relação ao estudo, a neurologista Mariana Grenfell destacou que ainda é cedo para afirmar que níveis adequados de vitamina D, por si só, vão reduzir o risco de Alzheimer.“Esse estudo mostra, na verdade, uma associação relevante, mas ele não consegue estabelecer uma relação de causa e efeito. Ou seja, pessoas com níveis mais baixos de vitamina D, nessa meia-idade, apresentam mais sinais iniciais de alterações cerebrais, como o acúmulo da proteína tau, mas isso, sozinho, não significa que a vitamina D, isoladamente, seja responsável por prevenir ou causar o Alzheimer”, explicou.Manter níveis normais de vitamina D, segundo a neurologista Ana Cláudia Andrade, é uma recomendação para evitar diversos transtornos ósseos, musculares e neurológicos, e já faz parte da rotina de avaliação do neurologista.“No entanto, é importante lembrar que níveis muito elevados dessa vitamina são perigosos e podem causar graves sintomas, podendo ser necessária internação hospitalar por risco de morte”, alertou.Fique por dentroPesquisa Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva sem cura | Foto: Freepik Estudo publicado na revista científica Neurology Open Access indica que níveis mais elevados de vitamina D na meia-idade estão associados a uma menor deposição da proteína tau no cérebro anos depois, que é um dos principais marcadores ligados à doença de Alzheimer.Apesar dos resultados promissores, o estudo é observacional e não comprova que a vitamina D previne demência. Especialistas destacam que existe apenas uma associação entre níveis mais altos da vitamina e menor acúmulo de tau, sem evidência de causalidade. Isso significa que os dados não permitem afirmar que a reposição de vitamina D, por si só, reduza o risco de Alzheimer, sendo necessária a realização de ensaios clínicos para confirmar essa hipótese.Papel da vitamina D no cérebroA vitamina D atua como um hormônio neuroativo, com receptores em regiões como o hipocampo e o córtex cerebral. Ela participa da regulação da neuroinflamação, do estresse oxidativo e da fosforilação da proteína tau, processos diretamente envolvidos na degeneração neuronal. Esses mecanismos ajudam a explicar por que níveis adequados da vitamina podem estar associados a um efeito protetor sobre o cérebro.Riscos da suplementação indiscriminadaEspecialistas alertam que os achados não devem ser interpretados como indicação para uso indiscriminado de vitamina D. A automedicação pode ser perigosa, já que níveis excessivos da substância podem causar efeitos graves e até risco de internação. A reposição deve sempre ser feita com acompanhamento médico e monitoramento periódico dos níveis no sangue.Individualização da reposiçãoA decisão de suplementar vitamina D deve ser baseada em avaliação individual, considerando fatores como idade, exposição solar, presença de doenças e risco de deficiência. Nem todos os pacientes se beneficiam da reposição e, em alguns casos, o excesso pode ser prejudicial. Por isso, a conduta deve ser personalizada, evitando recomendações generalizadas.Prevenção de demênciasA vitamina D não deve ser vista como uma solução isolada para prevenir doenças neurodegenerativas, segundo especialistas. Ela faz parte de um conjunto mais amplo de fatores que influenciam a saúde cerebral ao longo da vida. Medidas como controle de doenças crônicas, prática regular de atividade física, sono adequado e estímulo cognitivo continuam sendo as estratégias mais comprovadas para proteção do cérebro e envelhecimento saudável.