A agenda de Virginia Fonseca tem sido marcada por deslocamentos internacionais ao longo de 2026. Entre compromissos profissionais, família e períodos de descanso, a influenciadora passou por destinos como Espanha, Dubai e Itália, além de manter idas frequentes a Madri. Durante um período do relacionamento com Vini Jr., por exemplo, chegou a dividir a rotina entre Brasil e Espanha, em viagens que somavam mais de 20 horas de voo entre ida e volta. Rotina intensa pode cobrar a conta do corpo? O que o caso de Anitta mostra Virginia Fonseca usa eletrólitos no treino. O que há por trás da tendência? Percentual de gordura: por que esse número virou referência de beleza Nas redes sociais, esse ritmo aparece entre malas, hotéis, restaurantes e treinos. Para o organismo, porém, cada deslocamento envolve uma série de adaptações: horas em uma mesma posição, mudanças no horário de sono, refeições fora da rotina, alteração dos momentos de atividade física e diferenças de fuso. Quando essas mudanças acontecem com frequência, manter uma rotina regular pode se tornar um desafio e alguns desses fatores merecem atenção do ponto de vista cardiovascular. A questão não é o avião isoladamente. O impacto está na combinação entre sono insuficiente, sedentarismo durante longos períodos, estresse e alterações constantes nos horários. Para Bárbara Fagundes, médica cardiologista titular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e ecocardiografista pelo Departamento de Imagem Cardiovascular (DIC), o cuidado com o coração passa justamente pela adaptação das recomendações de saúde à rotina de cada pessoa. "Hoje, a maioria das pessoas sabe que precisa se alimentar melhor, fazer atividade física, dormir bem, controlar o estresse e acompanhar a pressão e o colesterol. O grande desafio é conseguir colocar tudo isso em prática dentro da realidade de cada pessoa. E é justamente aí que o acompanhamento médico individualizado faz diferença", explica. O que acontece com o corpo quando os fusos mudam? Ao atravessar diferentes fusos em poucas horas, o horário exibido no celular muda imediatamente, mas o organismo precisa de tempo para se adaptar. O chamado jet lag ocorre justamente quando o relógio biológico fica temporariamente desalinhado em relação ao novo horário. Sono, alimentação, exposição à luz e atividade física podem sair do ritmo habitual até que o corpo se ajuste. Para quem viaja ocasionalmente, esse processo costuma ser transitório. Uma rotina com deslocamentos frequentes, no entanto, pode dificultar a manutenção de horários regulares. Dormir menos para cumprir compromissos, embarcar de madrugada, chegar ao destino e retomar atividades poucas horas depois são situações que podem comprometer o descanso. "Dormir mal, apresentar distúrbios do sono ou permanecer submetido a níveis elevados de estresse de forma persistente também pode interferir na saúde cardiovascular. Alterações do sono, como a apneia obstrutiva, podem estar associadas à hipertensão, alterações metabólicas e maior risco cardiovascular", observa Bárbara. Virginia Fonseca vive entre fusos: como o corpo reage a uma rotina de viagens frequentes Reprodução Instagram Isso não significa que viajar ou atravessar fusos seja, por si só, um problema para o coração. A preocupação está na frequência e na combinação de fatores que podem acompanhar esse estilo de vida. Para a saúde cardiovascular, sono adequado, atividade física, alimentação equilibrada e controle de condições como hipertensão e colesterol continuam sendo pilares importantes, independentemente de a pessoa passar boa parte do mês em casa ou em aeroportos. Muitas horas sentada também exigem atenção Os voos longos acrescentam outro aspecto: a permanência prolongada na mesma posição. Ficar muitas horas sentado pode favorecer a estase do sangue nas pernas e, em pessoas com determinados fatores de risco, aumentar a possibilidade de trombose venosa. O risco não é igual para todos. Histórico de trombose, algumas condições de saúde, uso de determinados medicamentos, imobilidade e outros fatores podem influenciar essa avaliação. Por isso, a recomendação não deve ser generalizada para qualquer passageiro. Durante viagens mais longas, movimentar as pernas e, quando possível, levantar-se e caminhar pelo avião são medidas simples que podem reduzir o tempo de imobilidade. A necessidade de cuidados adicionais depende das características e do histórico de cada pessoa. Academia não compensa uma rotina inteira desregulada Virginia costuma compartilhar registros de exercícios nas redes, o que também coloca em evidência uma questão comum entre pessoas que viajam a trabalho: manter a atividade física mesmo longe de casa. O exercício é um dos componentes importantes para a saúde cardiovascular, mas não funciona isoladamente. Uma rotina de treinos não neutraliza noites mal dormidas, alimentação inadequada ou níveis persistentes de estresse. Da mesma forma, alguns dias fora da rotina não anulam hábitos mantidos de maneira consistente ao longo do tempo. A prevenção cardiovascular depende do conjunto. "Quando o paciente é acompanhado de perto, conseguimos identificar suas dificuldades específicas, estabelecer metas possíveis, acompanhar a evolução e ajustar a estratégia ao longo do caminho. Não existe uma mudança de estilo de vida igual para todos. O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Ter direção, acompanhamento e alguém que ajude a ajustar a rota aumenta muito a chance de uma mudança realmente sustentável", destaca a cardiologista. Virginia Fonseca vive entre fusos: como o corpo reage a uma rotina de viagens frequentes Reprodução Instagram Como cuidar da saúde em uma rotina de viagens? Para quem não consegue reduzir a frequência dos deslocamentos, a proposta não precisa ser buscar uma rotina perfeita. O mais importante é preservar, na medida do possível, alguns hábitos básicos: manter-se fisicamente ativo, evitar longos períodos de imobilidade, cuidar da hidratação, proteger o sono e acompanhar regularmente indicadores como pressão arterial e colesterol. Também vale considerar o período de adaptação ao fuso. Sempre que possível, ajustar gradualmente os horários de sono e exposição à luz pode facilitar a sincronização com o novo destino. A estratégia, porém, pode variar conforme a duração da viagem, o número de fusos atravessados e as condições individuais. Para Bárbara, prevenção cardiovascular precisa ser pensada dentro da vida que cada pessoa efetivamente leva, inclusive quando trabalho e compromissos exigem hotéis, aeroportos, horários irregulares e mudanças constantes de país. "Cuidar do coração não é apenas prescrever medicamentos ou solicitar exames. É ajudar o paciente a construir uma rotina que proteja sua saúde ao longo dos anos. Muitas vezes, ele já sabe o que precisa fazer; o que falta é apoio, direção e acompanhamento para conseguir fazer. E é nesse processo que acredito que uma medicina mais próxima e individualizada pode gerar resultados muito melhores", conclui.
Virginia Fonseca vive entre viagens e fusos: o que esse ritmo pode fazer com o corpo