O DIU ganhou espaço entre as opções para quem busca uma contracepção de longa duração sem precisar lembrar diariamente de tomar um comprimido ou trocar um método. O dispositivo, que pode ser de cobre ou hormonal, também aparece com frequência nas conversas nas redes sociais, inclusive entre famosas como Virginia Fonseca e Larissa Manoela, que já falaram publicamente sobre o uso. Congelamento de óvulos: o que muda quando a maternidade fica para depois Glass Skin: por que uma rotina cheia de produtos não garante o resultado Apesar de ser um método conhecido, ainda persistem dúvidas sobre quem pode utilizá-lo e o que acontece depois da retirada. Afinal, mulheres que nunca tiveram filhos podem colocar DIU? O dispositivo interfere na fertilidade? É verdade que ele aumenta as cólicas? E existe uma idade considerada ideal para fazer a inserção? A resposta para muitas dessas perguntas passa menos por uma regra geral e mais pelas características de cada paciente. O DIU pode ser utilizado por mulheres em diferentes momentos da vida reprodutiva, inclusive adolescentes e aquelas que nunca engravidaram, desde que não haja contraindicações. Existe idade mínima para colocar o DIU? Mito. Não há uma idade única a partir da qual o dispositivo passa a ser indicado. A possibilidade de uso deve ser avaliada individualmente, considerando o histórico de saúde, as características do ciclo menstrual, eventuais sintomas e os planos reprodutivos. "Não existe uma idade universalmente indicada para a colocação do DIU. O método pode ser considerado em diferentes fases da vida reprodutiva, desde que não existam contraindicações. A avaliação deve levar em conta o histórico de saúde, o padrão menstrual, a presença de cólicas ou fluxo aumentado, além dos objetivos contraceptivos e do planejamento reprodutivo da mulher", explica a ginecologista Giovana Brunet. Quem nunca teve filhos pode usar? Mito. Não ter engravidado anteriormente não impede, por si só, a utilização do dispositivo. Diretrizes médicas consideram o DIU uma opção para mulheres que nunca tiveram filhos. "Essa é uma dúvida muito comum, mas não é correto afirmar que o DIU seja exclusivo para mulheres que já tiveram filhos. Pacientes que nunca engravidaram também podem ser candidatas ao método. É necessário avaliar cada caso, explicar como funciona o procedimento, os possíveis efeitos e escolher o dispositivo mais adequado para aquela paciente", afirma Giovana. A inserção pode provocar desconforto ou dor, e essa possibilidade deve fazer parte da conversa antes do procedimento. A intensidade varia entre as pacientes, e as estratégias para lidar com o incômodo podem ser individualizadas. O DIU pode causar infertilidade? Mito. O DIU é um método reversível e seu efeito contraceptivo não permanece depois que o dispositivo é retirado. A fertilidade retorna rapidamente após a remoção, e as evidências não apontam aumento do risco de infertilidade associado ao uso do método. "O DIU não provoca infertilidade permanente. Depois da retirada, a mulher pode retomar seus planos de gravidez. Se houver dificuldade para engravidar posteriormente, é importante investigar outras possíveis causas, como idade, alterações na ovulação, endometriose, problemas nas trompas ou fatores relacionados ao parceiro. O uso anterior do DIU, isoladamente, não significa que a mulher terá dificuldade para engravidar", esclarece a ginecologista. Existem diferentes tipos de DIU? Verdade. Os dois principais tipos são o DIU de cobre e o hormonal. Embora ambos tenham como objetivo evitar a gravidez, funcionam de maneiras diferentes e podem produzir efeitos distintos sobre a menstruação. O modelo de cobre não contém hormônios e pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas em algumas mulheres. Já o hormonal libera progestagênio no útero e tende a reduzir o sangramento e as cólicas ao longo do tempo. "O DIU de cobre pode ser uma opção para quem deseja evitar métodos hormonais. Em algumas mulheres, porém, pode aumentar o fluxo menstrual e as cólicas. Já o hormonal costuma reduzir o sangramento. A escolha deve considerar os sintomas menstruais, o histórico clínico e as preferências da paciente", diz Giovana. Todo DIU provoca mais cólica e sangramento? Mito. A resposta depende do tipo de dispositivo e de como o organismo de cada mulher reage a ele. O DIU de cobre pode intensificar o fluxo e as cólicas, enquanto o hormonal costuma ter efeito oposto. "Não podemos colocar todos os DIUs na mesma categoria. O comportamento menstrual pode ser diferente dependendo do modelo utilizado. Por isso, conhecer o perfil da mulher antes da escolha é tão importante", observa a médica. O DIU é um método de longa duração? Verdade. Uma das características do dispositivo é justamente oferecer contracepção por vários anos sem que a mulher precise administrar o método diariamente. O tempo de duração varia conforme o tipo e o modelo: os DIUs hormonais podem ter indicação de três a oito anos, enquanto o de cobre pode chegar a dez, segundo o dispositivo utilizado. "Os métodos contraceptivos de longa duração reduzem a dependência da rotina diária. Depois da colocação, a mulher não precisa administrar o método todos os dias, o que contribui para uma alta eficácia. Ainda assim, a escolha deve ser individualizada e acompanhada por um profissional de saúde", pontua Giovana. É preciso ficar com o DIU até o fim do prazo? Mito. O período de duração indicado para cada dispositivo não significa que a mulher precise permanecer com ele durante todo esse tempo. Se quiser interromper o método ou tentar engravidar, pode solicitar a retirada a um profissional de saúde. A possibilidade de remoção faz parte do caráter reversível da contracepção. "Uma das grandes vantagens do DIU é justamente a possibilidade de reversão. A mulher não precisa permanecer com o dispositivo durante todo o período de duração previsto. Se decidir engravidar, pode conversar com o ginecologista e realizar a retirada. O método oferece proteção prolongada, mas não elimina a autonomia da paciente sobre seus planos reprodutivos", ressalta a ginecologista. DIU protege contra ISTs? Mito. O dispositivo é voltado à prevenção da gravidez, mas não protege contra infecções sexualmente transmissíveis. Por isso, quando há risco de exposição, o uso de preservativo continua sendo importante. Existe um método ideal para todas? Mito. A escolha do contraceptivo depende das características, das preferências e dos planos de cada mulher. Além do DIU, existem outras opções de longa duração, como o implante hormonal, e métodos que exigem uso mais frequente, como pílulas e preservativos. "Uma mulher com fluxo menstrual intenso pode ter uma indicação diferente daquela que busca apenas uma contracepção de longa duração. Também precisamos considerar idade, histórico de saúde, medicamentos, sintomas menstruais e desejo de engravidar no futuro. O papel do ginecologista é apresentar as possibilidades e construir uma decisão compartilhada com a paciente", conclui Giovana.
Virginia Fonseca e Larissa Manoela já falaram sobre DIU; entenda as principais dúvidas sobre o método