🌐 WorldLive
Accueil🇧🇷 BrésilActualités

Tesouro dos EUA informa bancos de que pode intervir no mercado do iene, diz fonte

Tesouro dos EUA informa bancos de que pode intervir no mercado do iene, diz fonte

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos informou um grupo de bancos de que poderá intervir no mercado do iene nesta sexta-feira e orientou as instituições a "estarem preparadas para futuras ações", disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto. O comunicado aos bancos, transmitido por meio do Federal Reserve de Nova York, foi enviado um dia após as autoridades japonesas intervirem para sustentar o iene, colocando a moeda no caminho para registrar sua maior valorização semanal desde fevereiro e afastando-a das mínimas em quatro décadas frente ao dólar. A notícia sobre a possível intervenção do Tesouro americano ajudou a fortalecer o iene nesta sexta-feira. Há pouco, a moeda era negociada a 159,09 por dólar, após ter chegado a 163,65 na quinta-feira. O método de uma eventual intervenção do Tesouro ainda não está claro. Desde 2013, o Fed mantém uma linha permanente de swap de liquidez em dólares com o Banco do Japão e outros quatro grandes bancos centrais. O principal diplomata cambial do Japão, Atsushi Mimura, não quis comentar diretamente sobre uma intervenção, mas indicou que os Estados Unidos estariam envolvidos nos esforços para conter a desvalorização do iene. Ele mencionou inclusive a realização dos chamados "rate checks’, que são consultas feitas a instituições financeiras para obter cotações indicativas do dólar frente ao iene, normalmente vistas como um sinal preliminar de uma possível intervenção cambial. Mimura acrescentou que o apoio americano "vai além do apoio psicológico". Segundo Lee Hardman, estrategista de câmbio do MUFG, em Londres, a informação da Reuters de que o Tesouro alertou bancos sobre uma possível intervenção "é compatível com a percepção do mercado de que o Fed de Nova York vinha realizando rate checks, aumentando o nervosismo dos participantes quanto à possibilidade de novas intervenções". "Isso certamente reforça a ideia de que o risco de intervenção continua sobre a mesa", afirmou. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, escreveu em uma publicação na rede social X que o Tesouro mantém "um relacionamento sólido e uma coordenação estreita" com as autoridades japonesas, mas não confirmou os preparativos para uma intervenção. Bessent também afirmou que espera se reunir com o presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, durante a reunião de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, que será realizada no fim de agosto em Asheville, na Carolina do Norte. "O desempenho da economia japonesa continua forte sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, do presidente Ueda e do conselho do Banco do Japão, que demonstraram um forte compromisso com a estabilidade monetária e financeira", escreveu. Na quinta-feira, em entrevista à Fox Business Network, Bessent afirmou que o iene "parece muito desvalorizado" e elogiou as políticas implementadas pela primeira-ministra Sanae Takaichi, dizendo que elas fortalecerão os fundamentos da economia japonesa. Ele acrescentou que "acreditamos que a volatilidade excessiva do iene não é saudável" e que a moeda "ultrapassou de forma significativa o que poderia ser considerado seu preço de equilíbrio". A última vez que o Tesouro dos Estados Unidos interveio diretamente para sustentar o iene foi em 2011, como parte de uma ação coordenada pelos países do G7 para estabilizar a moeda após o terremoto e o tsunami que devastaram o Japão. Mais recentemente, no ano passado, o Tesouro americano interveio para apoiar o mercado do peso argentino antes das eleições parlamentares e concedeu ao governo do presidente Javier Milei uma linha de swap cambial de US$ 20 bilhões para ajudar a estabilizar a moeda e os títulos soberanos argentinos denominados em dólar. Esse apoio à Argentina utilizou, em parte, recursos do Exchange Stabilization Fund (ESF), que possuía cerca de US$ 217 bilhões em ativos em 30 de junho. Soichiro Koriyama/Bloomberg