Ainda que esteja tendo, desde o início da temporada, dores de cabeça em praticamente todas as posições, nenhuma crise é maior no elenco do Botafogo do que no gol. Para se ter ideia, nas 23 partidas do Campeonato Brasileiro foram cinco goleiros utilizados. Léo Linck, Raul e Neto, que já até deixaram o clube, fizeram um, oito e dez jogos, respectivamente. Já os recém-chegados Gabriel Batista e Warleson foram utilizados uma e quatro vezes. Como reflexo da instabilidade, o alvinegro tem a quarta pior defesa do torneio, com 37 gols sofridos. O número de goleiros representa um recorde no Brasileirão desta temporada. Anteriormente, o feito já havia sido alcançado pelo próprio alvinegro em 2007, quando viveu uma célebre crise com Júlio Cesar, Max, Lopes, Marcos Leandro e Roger. Fortaleza (2025), Internacional (2016) e Atlético-MG (2009) também já alcançaram tal façanha. Decepção com Neto Tudo isso se dá por uma série de erros que vão desde aspectos individuais de cada atleta até o planejamento da diretoria alvinegra. Com problemas no gol desde o ano passado, o clube errou em apostar numa recuperação do já criticado Neto. Fora de ação ao término da última temporada por conta de uma lesão — depois de já ter falhado em lance capital da eliminação na Copa do Brasil contra o Vasco —, o experiente goleiro de 37 anos não conseguiu dar a volta por cima. Titular desde o Campeonato Carioca, Neto acumulou uma série de erros que o fizeram ser afastado do elenco pelo técnico Martín Anselmi. Nos bastidores, o jogador chegou a se envolver em polêmica com John Textor, que se posicionava contra sua utilização. Reintegrado por Franclim Carvalho, voltou a perder a posição após expulsão tola no último jogo antes da Copa do Mundo e teve o contrato rescindido. Em paralelo, Raul e Léo Linck, que já estavam no elenco e não vinham bem quando Neto foi contratado, também não conseguiram dar conta do recado. Além das questões técnicas em que a dupla deixou a desejar, ficou escancarado como o nervosismo causado pela situação atrapalhou o rendimento dos atletas. Reforços buscam espaço Contratados após a Copa do Mundo para buscar a titularidade e tentar dar fim ao problema do time, Warleson e Gabriel Batista ainda disputam espaço na equipe. Como se apresentou primeiro no CT Lonier, Warleson foi o escolhido por Franclim para assumir a vaga. O início, com dois jogos consecutivos sem ser vazado, foi promissor. Mas erros na goleada (6 a 1) contra o Cienciano-PER já criaram desconfiança entre torcedores. Na partida de volta do confronto que causou a eliminação na Sul-Americana, Warleson se lesionou após choque com atacante do time peruano e precisou levar 15 pontos no queixo. Desfalque contra o Athletico-PR, pelo Brasileirão, deu vaga a Gabriel Batista, titular pela primeira vez. Ainda que não tenha tido culpa em nenhum dos três gols do Furacão, a quantidade de gols sofridos num só jogo pesa contra o arqueiro. Para o confronto do próximo domingo, no clássico contra o Flamengo, o técnico Rodrigo Bellão precisará tomar uma decisão em relação ao escolhido para defender a meta alvinegra. Liberado pelo departamento médico para treinar com uma proteção no queixo, Warleson deve estar à disposição. Apesar de ainda não ter comandado o jogador, é provável que Bellão respeite a hierarquia anterior e o reintegre ao time titular.
Recorde neste Brasileirão, cinco goleiros utilizados pelo Botafogo reverberam crise do time na posição