"No futuro, vamos conseguir comparar e ver, com um grande número de pessoas, a diferença entre os efeitos das canetas biológicas, sintéticas e genéricas”, Lusanere Cruz, endocrinologista | Foto: Fábio Nunes/AT O primeiro medicamento genérico à base de semaglutida foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Popularmente conhecida como “caneta emagrecedora”, a medicação foi aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2, mas também é usada para a perda de peso.Produzida pela farmacêutica EMS, a caneta genérica não possui nome comercial, conforme determina a regulamentação para medicamentos genéricos. Na prática, deve custar até 35% menos que o medicamento de referência.Não havia, até então, uma versão genérica da semaglutida no Brasil. Isso porque a substância (princípio ativo do Ozempic, que teve sua patente expirada em março) é classificada como um medicamento biológico.Essa versão genérica, segundo nota da EMS, tem como medicamento de referência o Ozivy, da própria EMS, que chegou ao mercado em junho de 2026. A versão genérica ainda precisa de definição de preço para chegar às farmácias.Para a endocrinologista Maria Amélia Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Espírito Santo (SBEM-ES), com a versão genérica, a expectativa é aumentar o acesso e trazer mais sustentabilidade ao tratamento.“A chegada do genérico é um passo fundamental para os pacientes. O principal benefício prático é a concorrência no mercado, que tende a reduzir os custos e viabilizar a adesão a longo prazo, algo essencial para o controle de condições crônicas como diabetes tipo 2 e obesidade.”Quanto à opção de uma versão genérica para o tratamento, a endocrinologista Priscila Pessanha explica que a escolha da caneta deve ser feita por meio de uma decisão compartilhada entre médico e paciente.“Há uma série de fatores a serem considerados: se a molécula é biológica ou sintética, escalonamento da dose, forma de aplicação, modo de conservação e, claro, a possibilidade financeira do paciente na compra de uma medicação para tratamento de uma condição crônica.”Sobre a comparação dos efeitos da caneta genérica com a versão de referência (o Ozivy), a endocrinologista Lusanere Cruz pontua que, com a nova aprovação, será possível observar os resultados na prática clínica. “Quem está usando, por exemplo, o Ozivy já está vendo efeitos”, afirma.Novo remédio é aprovadoUm novo medicamento similar à base de semaglutida também foi registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ontem para o tratamento do diabetes. Trata-se do Semaclique, do laboratório Germed.O medicamento se junta a outros seis similares aprovados pela Anvisa, entre eles o Ozivy, da EMS.Por nota, o Grupo EMS informou que o Semaclique será produzido sob o registro da Germed e comercializado pela Brace Pharma, unidade de prescrição médica da companhia.“O consumidor que desejar adquirir este produto deverá pedir pelo Semaclique da Brace Pharma nas farmácias quando ele estiver disponível.”O lançamento dos novos produtos no mercado ainda depende de definições de preço.Saiba Mais Medicamentos aprovadosA Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou ontem o registro de dois novos medicamentos injetáveis à base de semaglutida, um genérico e um similar.Ambos são agonistas do receptor de GLP-1 e têm indicação aprovada para o tratamento do diabetes tipo 2.A versão genérica, produzida pela farmacêutica EMS, não terá nome comercial, conforme as regras para esse tipo de medicamento. Já o similar, fabricado pelo laboratório Germed, será comercializado com o nome Semaclique.O lançamento dos novos produtos no mercado ainda depende de definições envolvendo o preço.Como serão aplicados? Caneta para emagrecer: aplicação | Foto: Divulgação Os medicamentos serão apresentados como solução injetável em canetas preenchidas, para aplicação semanal.Apresentações aprovadasA Anvisa autorizou quatro apresentações, sendo que todas contêm semaglutida 1,34 mg/ml:1,5 ml: 1 caneta + 6 agulhas;3 ml: 2 canetas + 10 agulhas;1,5 ml: 1 caneta + 4 agulhas;3 ml: 2 canetas + 8 agulhas.DiferençasMedicamento de referência: é o produto original, desenvolvido após pesquisas e estudos que comprovaram sua qualidade, segurança e eficácia. Serve como parâmetro para outros medicamentos.Similar: também contém o mesmo princípio ativo e deve demonstrar eficácia e segurança equivalentes às do medicamento de referência. Possui nome comercial e marca própria.Genérico: tem o mesmo princípio ativo, dose, forma farmacêutica e indicação do medicamento de referência. Não possui marca comercial e deve comprovar equivalência terapêutica. Pela legislação, deve ser comercializado por preço pelo menos 35% inferior ao do medicamento de referência.Biológico: é produzido a partir de sistemas vivos, por processos biotecnológicos, e tem moléculas mais complexas. O Ozempic é um exemplo de medicamento biológico.Outras aprovaçõesOZIVY: foi aprovado em maio pela Anvisa e já chegou ao mercado. O medicamento, da EMS, foi a primeira semaglutida sintética brasileira a ser aprovada.Em julho foram aprovados: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil; Zempneo, da Brainfarma Indústria Química e Farmacêutica; Semavy, da Cosmed; Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica.
Primeira caneta emagrecedora genérica deve ser 35% mais barata