Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostra que, embora uma parcela dos brasileiros (36,3%) ainda prefira o emprego com carteira assinada, esse grupo não representa a totalidade das escolhas. Na prática, a maioria não demonstra preferência pelo modelo formal tradicional.Para o presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Paulo Baraona, a pesquisa evidencia uma mudança relevante no mercado de trabalho, com crescimento do interesse por modelos mais flexíveis, como o trabalho autônomo, por plataformas digitais e o empreendedorismo.“Esse movimento reflete transformações estruturais, como o envelhecimento da população e a chegada de uma nova geração que valoriza mais autonomia e flexibilidade”.O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Estado, Fernando Otávio Campos, ressalta que a pesquisa mostra exatamente que a maioria, mais de 60%, não prefere a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).Segundo ele, embora as pessoas busquem segurança e estabilidade, também querem qualidade de vida e melhores salários. “Custos elevados, impostos e inseguranças jurídicas dificultam que empresas ofereçam essas condições, levando trabalhadores a buscar alternativas fora do modelo formal tradicional”.O vice-presidente da Fecomércio-ES, José Carlos Bergamin, lembra que há uma dificuldade crescente de preenchimento das vagas nos modelos tradicionais, e as empresas têm se adaptado rapidamente às novas preferências dos trabalhadores. “O que parecia um movimento temporário no pós-pandemia vem se consolidando como uma tendência”, disse.O presidente do Sindicato dos Restaurantes, Bares e Similares do Estado (Sindbares), Rodrigo Vervloet, também destaca que a pesquisa mostra que mais da metade da força de mão de obra do País está na informalidade.Realizado pelo Instituto Nexus, em parceria com a CNI, o levantamento ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o País. A pesquisa foi realizada de 10 a 15 de outubro de 2025, mas só foi divulgada recentemente.Vínculo pela CLT Rowenna Coimbra dos Santos Alves | Foto: Divulgação No grupo da carteira assinada está Rowenna Coimbra dos Santos Alves, de 31 anos — realidade diferente da de muitos ao seu redor, que não optam pelo vínculo formal.Há cerca de 10 anos no regime da CLT, ela também atua como analista de relacionamentos on-line e influenciadora.“Apesar da renda da internet, a CLT ainda me garante segurança, com salário fixo, plano de saúde e benefícios. No futuro, penso em empreender, mas ainda não abro mão dessa estabilidade”.Poucos têm sucesso como influenciadorUm dado da pesquisa chama a atenção: o interesse por trabalhos em plataformas digitais. Ainda assim, especialistas alertam que, para quem sonha em se tornar um “influencer de sucesso”, por exemplo, essa é uma realidade restrita a poucos.O presidente da ABIH-ES, Fernando Otávio Campos, diz que o espaço é limitado. “Para ser um influenciador digital de sucesso, primeiro é preciso ter capacidade de influenciar na vida real”. Eliana Machado, CEO da Center RH, diz que o universo digital abriu oportunidades, mas viver de influência nas redes sociais é exceção.A pesquisaPrincipais números36,3% preferem emprego com carteira assinada (CLT);18,7% apontam o trabalho autônomo como melhor opção;12,3% consideram o emprego informal mais atrativo;10,3% têm interesse em trabalho por plataformas digitais;9,3% preferem abrir o próprio negócio;6,6% optam por atuar como pessoa jurídica (PJ);20% não encontraram oportunidades atrativas.Preferência entre jovensEntre os jovens, a escolha pelo emprego formal é ainda mais forte, refletindo a busca por segurança no início da carreira.41,4% dos trabalhadores de 25 a 34 anos preferem CLT;38,1% dos jovens de 16 a 24 anos também priorizam o modelo.
Pesquisa CNI aponta que maioria rejeita carteira assinada