ANDRÉ FONTENELLE}FOLHAPRESSTodos os franceses e francesas de 29 anos receberão este ano uma correspondência do governo francês com "informações direcionadas e equilibradas, ao mesmo tempo sobre a saúde sexual e sobre a saúde reprodutiva", anunciou nesta quinta-feira (5) o Ministério da Saúde francês.Essa é uma de 16 medidas do chamado "plano de luta contra a infertilidade", motivado pela queda da fecundidade na França. A idade escolhida não é acidental: 29 anos é a idade mínima recomendada para uma mulher congelar seus óvulos na França, caso queira preservar sua fertilidade mesmo sem problemas de saúde que justifiquem essa decisão.Em 2025, pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, a França teve mais mortes (651 mil) que nascimentos (645 mil). A divulgação desse número teve forte repercussão na imprensa."Uma França sem crianças?", pergunta a capa desta semana da revista "Le Nouvel Obs", com a ilustração de um homem solitário brincando de gangorra com o cachorro de estimação.Segundo o comunicado do governo que anunciou o plano, o objetivo da mensagem aos franceses de 29 anos é "evitar o 'se eu soubesse'".Entre outras medidas para estimular casais a terem filhos, a partir de julho haverá uma "licença suplementar de nascimento", de dois meses, que pode ser dividida entre pai e mãe, além da licença maternidade (16 semanas na França) e da licença paternidade (25 dias)."As curvas se cruzaram com uma queda na natalidade. A transição demográfica é a nossa prioridade. É um desafio coletivo, social e que deve ser financiado nos próximos anos", disse a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, em debate no parlamento.A população francesa, atualmente de 69 milhões, continua em leve alta, mas graças à imigração. Segundo Rist, em 2040 mais de um quarto dos franceses terá mais de 65 anos.A queda no número de nascimentos acentuou-se a partir de 2010, quando foram 832 mil. Essa queda é atribuída ao envelhecimento da população, a questões sociais desemprego dos jovens, reconfiguração das famílias e a possíveis fatores ambientais.Mais de um quarto dos franceses terá mais de 60 anos em 2040.A questão demográfica promete ser um dos temas centrais da campanha presidencial de 2027 na França. A ultradireita defende redução do número de imigrantes e estímulos à natalidade, mas apenas para pessoas de nacionalidade francesa.O discurso pró-natalidade, porém, vai além da ultradireita. Em 2024, o presidente Emmanuel Macron defendeu um "rearmamento demográfico" da França.
Para aumentar fertilidade, governo francês vai enviar carta a cidadãos de 29 anos