Hoje é Dia do Cinema Brasileiro! A data é celebrada por marcar as primeiras filmagens realizadas no país, em 19 de junho 1898, quando o italiano Afonso Segreto registrou imagens da entrada de seu navio na Baía de Guanabara, no Rio. Aproveitando as comemorações dos 128 anos de cinema no Brasil, O GLOBO preparou uma votação para escolher os 100 melhores filmes nacionais de todos os tempos. Para isso, convidou 185 profissionais do audiovisual, entre diretores, produtores, roteiristas, atores, compositores, fotógrafos e críticos, dentre outras áreas. Cada votante recebeu um desafio, elencar seus 20 filmes brasileiros favoritos. O jornal somou estes votos e compilou numa lista final com o nosso top 100. O ambiente especial do GLOBO traz a lista completa dos 100 melhores filmes brasileiros, com informações sobre cada obra e depoimentos de votantes, além da possibilidade do leitor criar seu próprio ranking. Confira o infográfico: Os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos Participaram da votação nomes como Walter Salles, Kleber Mendonça Filho, Selton Mello, Matheus Nachtergaele, Marcos Palmeira, Anna Muylaert, Gabriel Martins, Carla Camurati, Ana Carolina, Walter Carvalho, Rodrigo Teixeira, Johnny Massaro, Alice Carvalho e Cauã Reymond. A lista completa dos eleitores e o ranking dos 100 melhores filmes está disponível em infográfico especial no site do GLOBO. E o melhor filme brasileiro de todos os tempos é... “Central do Brasil” (1998), clássico de Walter Salles, que foi o líder em citações. Fernanda Montenegro em "Central do Brasil" Reprodução Estrelado por Fernanda Montenegro, Vinicius de Oliveira, Marilia Pêra e Othon Bastos, o longa é um dos filmes brasileiros de maior reconhecimento internacional. Conquistou o Urso de Ouro do Festival de Berlim, o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, além de duas indicações ao Oscar. — Em “Central do Brasil”, a busca pelo pai também era a busca pelo país. É um filme que parte Brasil adentro atrás de reflexos da identidade brasileira, depois de 21 anos de ditadura militar e dos anos do desgoverno Collor. Que o desejo que norteou o filme ainda esteja vivo hoje é um presente para todos nós que o realizamos de forma tão coletiva — afirma Walter Salles. — Viva cada filme dessa lista e viva a pluralidade do Cinema Brasileiro, do qual é uma honra fazer parte. “Deus e o diabo na terra do sol” (1964), de Glauber Rocha, ficou com a medalha de prata, enquanto que “Cidade de Deus” (2002), de Fernando Meirelles e Katia Lund, completou o pódio. Fechando nosso top 10, surgem “Cabra marcado para morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, “Vidas secas” (1963), de Nelson Pereira dos Santos, “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), de Hector Babenco, “Bye Bye Brasil” (1980), de Cacá Diegues, “Limite” (1931), de Mário Peixoto, “Terra em transe” (1967), também de Glauber, e “A hora da estrela” (1985), de Suzana Amaral. Cena de "Deus e o diabo na terra do Sol", de Glauber Rocha Reprodução Considerado o “pai do Cinema Novo”, Nelson Pereira dos Santos (1928-2018) foi o cineasta com maior número de obras na lista ao lado de Karim Aïnouz, com um total de quatro filmes cada. O paulista que construiu sua trajetória no Rio marcou presença com “Vidas secas”, “Rio, 40 graus” (1955), “Rio, Zona Norte” (1957) e “Memórias do cárcere” (1984), enquanto que o cearense foi lembrado pelos trabalhos em “Madame Satã” (2002), “O céu de Suely” (2006), “A vida invisível” (2019) e “Viajo porque preciso, volto porque te amo” (2009), este último com codireção de Marcelo Gomes. Eduardo Coutinho, Glauber Rocha, Kleber Mendonça Filho, Leon Hirszman e Walter Salles vêm a seguir com três filmes cada. A seleção dos 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos, segundo profissionais da indústria nacional, reúne obras de 1931, com “Limite”, de Mário Peixoto, a 2025, com “O agente secreto”, de Kleber Mendonça Filho, e contempla outros filmes premiados internacionalmente, como “O pagador de promessas” (1962), de Anselmo Duarte, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes, “Tropa de elite” (2007), de José Padilha, Urso de Ouro no Festival de Berlim, e “Ainda estou aqui” (2024), de Salles, único brasileiro a conquistar o Oscar de melhor filme internacional, no ano passado. O top 100 conta com 56 obras do século XX e 44 do XXI. Com 21 filmes, a década inicial dos anos 2000 é a recordista de presenças, reflexo de dois anos de lançamentos relevantes: 2002, com “Cidade de Deus”, “Madame Satã”, “Amarelo manga”, “Edifício Master” e “Ônibus 174”, e 2007, com “Saneamento básico, o filme”, “Estômago”, “Tropa de elite”, “Santiago” e “Jogo de cena”. Período principal do Cinema Novo, os anos 1960 marcam a segunda década com maior número de obras, com um total de 17. A lista conta com 17 filmes dirigidos ou codirigidos por cineastas mulheres: “Cidade de Deus” e “Notícias de uma guerra particular” (1999), codirigidos por Kátia Lund, “A hora da estrela”, de Suzana Amaral, “Que horas ela volta?” (2015), de Anna Muylaert, “Terra estrangeira” (1996), codirigido por Daniela Thomas, “Bicho de sete cabeças” (2001), de Laís Bodansky, “Mar de rosas” (1977), de Ana Carolina, “Manas” (2024), de Marianna Brennand, “Carlota Joaquina, princesa do Brazil” (1995), de Carla Camurati, “Amor maldito” (1984), de Adélia Sampaio, “Que bom te ver viva” (1989), de Lúcia Murat, “As boas maneiras”, codirigido por Juliana Rojas, “Mato seco em chamas” (2022), codirigido por Joana Pimenta, “Era o Hotel Cambridge” (2016), de Eliane Caffé, “Carvão” (2022), de Carolina Markowicz, “Elena” (2012), de Petra Costa, e “Justiça” (2004), de Maria Augusta Ramos. Ao todo, são apenas quatro longas de realizadores negros, reflexo de um audiovisual que historicamente sofreu, e sofre, no que diz respeito à diversidade e representatividade. São eles: “Marte um” (2022), de Gabriel Martins, “Amor maldito”, de Adélia Sampaio — primeiro longa nacional dirigido por uma realizadora negra —, “Alma no olho” (1974), de Zózimo Bulbul, e “Temporada” (2018), de André Novais Oliveira. O levantamento também contempla a diversidade temática e de gênero do audiovisual brasileiro. Além de dramas como o líder “Central do Brasil” ou comédias como “O homem do Sputnik” (1959), a lista reúne obras de animação (“O menino e o mundo”, 2013), terror (“À meia-noite levarei sua alma”, 1964), musical (“Os saltimbancos trapalhões”, 1981), faroeste (“Oeste outra vez”, 2024), ação (“Tropa de elite”) e policial (“O assalto ao trem pagador”, 1962). Destaca-se ainda a eleição de dois curtas-metragens (“Alma no olho” e “Ilha das flores”), além de 15 documentários, incluindo obras que misturam elementos da ficção e do documental, como “Branco sai, preto fica” (2014) e “Viajo porque preciso, volto porque te amo”.
Os 100 melhores filmes brasileiros de todos os tempos: profissionais do cinema elegem seus favoritos; veja a lista e monte seu top 10