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O que se sabe sobre o câncer do Papa, que teve parte do pulmão retirado

O que se sabe sobre o câncer do Papa, que teve parte do pulmão retirado

O Papa Leão XIV foi submetido nesta terça-feira (13) a uma cirurgia para retirar um nódulo no pulmão direito, descoberto durante exames médicos de rotina. O procedimento terminou "com sucesso", segundo o Vaticano, e confirmou que a lesão era um adenocarcinoma pulmonar, um dos tipos mais comuns de câncer de pulmão. Para garantir a remoção completa do tumor, os médicos retiraram o lobo inferior do pulmão direito do Pontífice. Papa Leão XIV: Quem é Stefano Margaritora, cirurgião que vai liderar a operação no pulmão do pontífice Demência: Estudo global revela 11,4 milhões de novos casos em 2023 — número que deverá mais que dobrar até 2050 A operação foi realizada no Hospital Gemelli, em Roma, e durou cerca de 90 minutos, embora Leão XIV tenha permanecido na sala de cirurgia por aproximadamente três horas, incluindo o período de preparação e observação. Segundo o boletim médico, assinado pelo médico de referência do Papa, Luigi Carbone, e pelo cirurgião Stefano Margaritora, responsável pela equipe, não houve complicações. O Pontífice despertou normalmente e retornou ao quarto após um breve período de observação. — A intervenção foi concluída com sucesso, dentro do tempo previsto e conforme o planejado — informou a assessoria de imprensa do Vaticano. A retirada do lobo inferior do pulmão direito foi realizada por meio de uma técnica videoassistida e, segundo os médicos, teve como objetivo garantir que o procedimento fosse "radical", ou seja, que toda a lesão fosse retirada. O exame histológico realizado durante a operação confirmou o diagnóstico de adenocarcinoma que havia sido suspeitado nos exames anteriores. Questionado sobre a possibilidade de o câncer ter se espalhado, o Vaticano informou que exames adicionais ainda estavam sendo realizados. Descoberta durante exames de rotina O próprio Papa revelou a existência do nódulo no domingo (11), durante a oração do Ângelus, na Praça de São Pedro. Na ocasião, afirmou que os médicos haviam identificado uma lesão "em estágio inicial" e recomendado uma intervenção. Posteriormente, o Vaticano esclareceu que o nódulo foi descoberto durante exames de rotina e que Leão XIV não apresentava sintomas específicos que tivessem levado os médicos a investigar seus pulmões. A descoberta precoce é considerada um fator positivo por especialistas. Federico Venuta, chefe de cirurgia torácica do Hospital Policlínico Umberto I, em Roma, afirmou à AFP que um câncer de pulmão identificado em estágio inicial, na forma de um nódulo sem sinais de disseminação para outras partes do organismo, pode ter prognóstico favorável. Um nódulo pulmonar, por si só, não significa câncer. Essas pequenas alterações podem ter causas benignas, inflamatórias ou infecciosas, entre outras. A análise do tecido retirado é que permite determinar sua natureza. Segundo a Sociedade Torácica Americana, menos de 5% dos nódulos pulmonares considerados em conjunto são cancerígenos. O que é o adenocarcinoma pulmonar O adenocarcinoma é um tipo de câncer que se origina em células do tecido epitelial, responsáveis, entre outras funções, pela produção e liberação de substâncias. No pulmão, é um dos principais tipos de tumor e também é o câncer pulmonar mais comum entre pessoas que nunca fumaram. O tabagismo é um dos principais fatores de risco, mas não é o único. Exposição à fumaça de outras pessoas, poluição do ar e contato com agentes como amianto, sílica e radônio também podem aumentar o risco. Histórico familiar, predisposição genética e algumas doenças pulmonares preexistentes também estão associados à doença. Nos estágios iniciais, o adenocarcinoma pulmonar frequentemente não provoca sintomas. Quando eles aparecem, podem incluir tosse persistente, falta de ar, dor no peito, cansaço e perda de peso sem causa aparente. Tosse acompanhada de sangue também pode ocorrer. Papa Leão XIV é internado em hospital de Roma para cirurgia de remoção de nódulo no pulmão O tratamento depende das características e da extensão do tumor. Entre as possibilidades estão cirurgia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo. Nos últimos anos, o desenvolvimento de medicamentos direcionados a alterações específicas das células tumorais e a expansão do uso da imunoterapia melhoraram as perspectivas de tratamento de vários pacientes. Recuperação deve ser acompanhada de perto Após a cirurgia, a principal questão é determinar a extensão exata da doença e avaliar os próximos passos do tratamento. O Vaticano ainda não informou se haverá necessidade de terapias adicionais, como quimioterapia, imunoterapia ou terapia-alvo. Para Marco Scarci, especialista em cirurgia torácica no Reino Unido, a recuperação do Papa tende a ser rápida, mas pode levar até três meses para que ele volte ao nível de condicionamento físico anterior. Federico Venuta afirmou que, em geral, viagens aéreas são evitadas por cerca de 20 dias após esse tipo de cirurgia, embora a recomendação possa variar de acordo com a evolução do paciente. A previsão do Vaticano é que Leão XIV permaneça internado por vários dias para se recuperar. Na segunda-feira (12), a Santa Sé anunciou o cancelamento das audiências do Pontífice até 20 de outubro. A internação é a primeira de Leão XIV desde que ele assumiu a liderança da Igreja Católica, em maio de 2025. O Pontífice, de 71 anos, era considerado uma pessoa saudável e praticava esportes. A divulgação detalhada de seu estado de saúde também representa um grau de transparência incomum na história recente do Vaticano, que tradicionalmente mantém em sigilo as condições médicas dos Papas. Papa manteve agenda antes da cirurgia Apesar da descoberta do tumor, Leão XIV manteve sua agenda até a véspera da operação. Na segunda-feira (12), participou de sete encontros. O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, afirmou à agência italiana ANSA que o Pontífice estava "muito calmo". O cardeal japonês Kikuchi Tsutomu também o descreveu como tranquilo e bem-humorado. O Hospital Gemelli, em Roma, onde o Papa Leão XIV passará por cirurgia Filippo MONTEFORTE / AFP Horas antes da cirurgia desta terça-feira (13), Leão XIV deixou o Vaticano de carro e acenou para as pessoas que o saudavam durante o trajeto. Ao chegar ao Hospital Gemelli, entrou pela porta principal sorrindo e acenando para dezenas de fiéis que aguardavam no local. A recuperação também provocou mudanças na programação da Igreja. Uma missa prevista para esta quarta-feira (14) na Praça de São Pedro será celebrada pelo cardeal filipino Luis Antonio Tagle, recentemente escolhido por Leão XIV para assumir o posto de decano do Colégio dos Cardeais. Uma conferência sobre acompanhamento pastoral das famílias também teve a divulgação de seu documento final adiada até a recuperação do Papa. Viagem à América do Sul A cirurgia ocorreu poucas semanas antes da viagem internacional mais longa prevista no pontificado de Leão XIV. Entre 6 e 17 de novembro, o Pontífice deverá visitar Uruguai, Argentina e Peru, em um roteiro que inclui milhares de quilômetros de deslocamentos e mudanças significativas de altitude. Por enquanto, não há indicação de que a viagem tenha sido cancelada. A manutenção da programação, porém, dependerá da evolução clínica e da recuperação do Pontífice após a retirada de parte do pulmão. O Vaticano informou que novos exames serão necessários para esclarecer completamente a situação do câncer. Por isso, embora a descoberta e a retirada do tumor em estágio inicial sejam consideradas fatores favoráveis, ainda não é possível estabelecer, a partir das informações divulgadas, se Leão XIV precisará de tratamento complementar ou qual será seu prognóstico definitivo.