Avenida Jonh Boyd Dunlop lidera como via com mais acidentes fatais em CampinasQue a Avenida John Boyd Dunlop lidera o ranking de acidentes em Campinas (SP) não é novidade. Em 2025, ela ficou em primeiro lugar na lista pelo sexto ano consecutivo, segundo a plataforma Infosiga, do Detran-SP. Mas o que acontece ao longo dos 15 quilômetros da via? 👷🏼👷🏼Para responder a essa pergunta, dois professores da Unicamp percorreram a avenida, a convite da equipe de reportagem da EPTV, afiliada da TV Globo, para analisar, na prática, o comportamento dos motoristas e as condições da via. A conclusão: o principal fator de risco é o excesso de velocidade fora dos pontos com fiscalização eletrônica. Além dele, o grande número de cruzamentos ao longo da avenida contribui para o aumento dos conflitos entre veículos, motos e pedestres'Repique de velocidade'Av. John Boyd DunlopEstevão Mamédio/g1Segundo o professor Creso de Franco Peixoto, cerca de 10% dos veículos circulavam acima do limite permitido de 50 km/h durante o monitoramento feito nesta semana. Em alguns trechos, a média de velocidade antes dos radares chegou a 70 km/h."Antes e depois do radar, tem uma tendência a ter velocidades maiores. No radar, ele fica bonzinho, bonitinho, né? E depois do radar, ele volta a acelerar", explicou o professor, ao descrever o que chamou de “repique de velocidade”. O professor Luciano Aparecido Barbosa, especialista em transporte, destacou que ultrapassar o limite pode ter consequências graves. Segundo ele, colisões acima de 50 km/h têm potencial de se tornar fatais em mais de 90% dos casos, principalmente quando envolvem pedestres e motociclistas.📱 Baixe o app do g1 para ver notícias da região em tempo real e de graçaMuitos cruzamentosProfessores da Unicamp trafegam por Avenida John Boyd Dunlop e analisam motivos de acidentesReprodução/EPTVA John Boyd Dunlop é a avenida mais longa de Campinas, com 15 quilômetros de extensão e cerca de 60 mil veículos por dia. Desde 2019, quando o sistema InfoSiga passou a contabilizar também acidentes não fatais, a via aparece no topo do ranking municipal.Para os especialistas, além do comportamento dos condutores, o grande número de cruzamentos ao longo da avenida contribui para o aumento dos conflitos entre veículos, motos e pedestres.🚦Apesar disso, os professores avaliaram que a via possui sinalização adequada e quantidade mínima necessária de radares. O problema, segundo eles, está menos na estrutura e mais na forma como parte dos motoristas conduz.A opinião dos especialistas é corroborada por grande parte dos condutores que circulam pela via.O autônomo Silmar Mendonça atribui os acidentes à imprudência e ao trânsito carregado nos horários de pico.“Além da dificuldade do trânsito, que já é pesado, tem a forma como as pessoas conduzem. Isso contribui bastante”, afirmou.Já o motorista Marcos Adriano destaca o desrespeito à sinalização. “O pessoal só vai, ninguém para. O semáforo abre e parece que todo mundo quer passar primeiro”, disse.Ranking de acidentesDesde 2019, quando o sistema passou a contabilizar também os acidentes não fatais, a via ocupa o primeiro lugar. Nesse período, já foram registradas 460 ocorrências. Veja o número de acidentes em cada ano, abaixo:2019 - 69 2020 - 692021 - 832022 - 612023 - 442024 - 782025 - 56De acordo com a Emdec, John Boyd Dunlop sempre está entre as vias que mais registram acidentes devido à sua extensão, já que é a maior avenida de Campinas, com 15 km de extensão e 47 cruzamentos. A empresa também afirma que o fluxo de veículos no trecho aumentou após a implementação dos Corredores BRT.Apenas em 2025, a John Boyd Dunlop registrou 56 acidentes de trânsito. As avenidas José de Souza Campos (a Norte-Sul) e das Amoreiras também apresentaram um saldo expressivo — confira o ranking completo abaixo.Avenida John Boyd Dunlop - 56 acidentesAvenida José de Sousa Campinas (Avenida Norte-Sul) - 40 acidentesAvenida das Amoreiras - 34 acidentesAvenida Ruy Rodrigues - 31 acidentesAvenida Orosimbo Maia - 30 acidentesCom 15 quilômetros de extensão e 47 cruzamentos, segundo a Emdec, a John Boyd concentra diariamente pouco mais de 58 mil veículos.O que diz a EmdecEm nota, a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec) afirmou que a permanência da John Boyd entre as vias com mais registros de acidentes está relacionada à extensão da avenida e aos 47 cruzamentos existentes ao longo do trajeto, além do alto fluxo de veículos, intensificado após a implantação dos corredores do BRT.A empresa informou ainda que tem realizado intervenções de geometria em pontos críticos e remanejado radares. Segundo a Emdec, não houve mortes em um raio de 100 metros dos novos equipamentos de fiscalização — antes da instalação, foram registrados cinco óbitos nesses locais.De acordo com o órgão, houve redução de 24% nos acidentes com vítimas e de 62% nos sinistros sem vítimas. A Emdec também afirma que os atropelamentos na via foram zerados.Ainda conforme a Emdec, há ações em andamento para reduzir o número de mortes na Avenida John Boyd Dunlop, incluindo obras de geometria para corrigir pontos críticos e o remanejamento de radares.Mais acidentes, mas menos mortesO trânsito de Campinas registrou aumento nos acidentes em janeiro. Segundo o Infosiga, foram 177 ocorrências tanto na malha urbana quanto em rodovias, alta de 14,9% em relação ao mesmo período do ano anterior (154).Mas, embora as ocorrências tenham crescido, o número de óbitos em acidentes de trânsito caiu na cidade. Foram seis, o menor número para janeiro desde 2021, quando o Infosiga contabilizou quatro mortes.📊 Mortes no trânsito de Campinas em janeiro2026: 62025: 132024: 92023: 92022: 72021: 4De acordo com o Infosiga, em relação aos acidentes no primeiro mês de 2026, o maior número de vítimas estava em motocicletas (124), seguido por automóveis (121). Isso representa uma inversão ao registrado no mesmo mês do ano anterior: 101 vítimas em carros, e 97 em motos.VÍDEOS: Tudo sobre Campinas e regiãoVeja todas as notícias da região na página do g1 Campinas.