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Melatonina para dormir não é inofensiva, dizem médicos

Melatonina para dormir não é inofensiva, dizem médicos

Roberta Couto, pneumologista e médica do sono, explica como a substância age no corpo | Foto: Fábio Nunes/AT Um estudo feito nos Estados Unidos investiga a relação do uso contínuo da melatonina com um maior risco de adultos com insônia crônica desenvolverem doenças cardiovasculares.O trabalho foi apresentado nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA), em novembro de 2025, e analisou mais de 130 mil prontuários.“Insuficiência cardíaca e a maior taxa de hospitalizações foram observadas, especialmente em pessoas que já apresentam insônia. Porém, é importante destacar que esses estudos não comprovam relação de causa e efeito, mas sinalizam a necessidade de cautela”, disse a neurologista Mariana Grenfell. Se usada em altas doses ou de forma contínua, a melatonina pode causar efeitos colaterais ao corpo, como sonolência diurna persistente, com prejuízo da atenção, da memória e do rendimento cognitivo.Disponível em comprimido, gota e até bala de goma, a melatonina tem ganhado cada vez mais espaço nas farmácias, graças à alta procura por soluções rápidas para dormir. Apesar de classificada como suplemento alimentar pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a melatonina é um hormônio comercializado sinteticamente, e o uso de altas doses pode trazer malefícios.“A melatonina não é um suplemento ou uma vitamina, é um hormônio produzido pelo corpo. A dose que produzimos durante a noite varia entre 0,3 miligramas (mg) e 1 mg, mas já vi casos de pessoas usando mais de 10mg para dormir. Isso pode acarretar sonolência durante o dia, desalinhar o seu ciclo de sono, e causar outros problemas”, alertou Roberta Couto, pneumologista e médica do sono.Além dos efeitos colaterais, a melatonina não é recomendada para insônia crônica, afirma a neurologista Giuliana Macedo.“Não há evidências científicas de que a melatonina melhora a insônia crônica. Esse hormônio é indicado, na verdade, para regular o ciclo circadiano, um sistema individual interno que regula o sono, alternando entre vigília e sono em resposta à luz e escuridão ambiental”.A orientação médica para regular o sono é descobrir o cronotipo individual, explica o médico do sono Sérgio Barros. “Cada um tem o seu ritmo biológico individual, que dita os horários que a pessoa sente sono. Ela precisa conhecer o seu cronotipo para tratar a insônia”. ENTENDAEstudo aponta riscos > 130 mil prontuários de pacientes foram analisados em um estudo apresentado nas Sessões Científicas da Associação Americana do Coração (AHA), nos Estados Unidos, em novembro de 2025.> A análise comparou indivíduos que utilizaram melatonina por pelo menos um ano com um grupo que nunca usou.> Adultos com insônia que usaram melatonina apresentaram cerca de 90% mais chance de desenvolver insuficiência cardíaca.> A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear sangue rico em oxigênio suficiente para os órgãos do corpo.Efeitos colaterais> Se usada em altas doses ou de forma contínua, a melatonina pode causar efeitos colaterais ao corpo:> Sonolência diurna persistente, com prejuízo da atenção, da memória e do rendimento cognitivo.> Tontura, aumentando o risco de quedas, especialmente em idosos.> Alterações do humor, como irritabilidade, apatia ou piora de sintomas depressivos.> Interferência no eixo hormonal, uma vez que a melatonina já é produzida pelo corpo.Suplemento ou hormônio?Apesar de classificada como suplemento alimentar pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), especialistas destacam que a melatonina é um neuro-hormônio produzido naturalmente pelo corpo, e produzido de forma sintética em laboratórios para comercialização.Casos indicados> Alterações do ciclo circadiano, que regula o sono.> Insônia gerada por jetlag (distúrbio temporário do sono) em viagens.> Pessoa com autismo que desencadeia distúrbio do sono.> Paciente com cegueira que não tem sinalização da luz do sol e trabalhador de turnos alternados.Contraindicações> A melatonina não é indicada para tratamento de insônia crônica.> Especialistas apontam que não há evidências científicas de melhora nos sintomas do distúrbio com o uso do hormônio.Como comprar> Evitar adquirir a melatonina misturada com vitaminas ou estimulantes.> Atenção ao rótulo do produto, que indica se a substância tem mistura ou não.> Buscar farmácias de manipulação, para obter a melatonina com maior grau de pureza.Fonte: Associação Americana do Coração (AHA) e especialistas entrevistados.