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Mais de 2.800 adolescentes ficaram grávidas em 8 meses no ES

Mais de 2.800 adolescentes ficaram grávidas em 8 meses no ES

A gestação na adolescência é de maior risco porque o corpo ainda está em desenvolvimento | Foto: Freepik Desafios como uma gravidez não planejada ainda impactam a trajetória de muitas adolescentes. Entre janeiro e agosto de 2025, o Espírito Santo registrou 2.835 nascimentos de bebês filhos de mães com idades entre 15 e 19 anos. O número é menor se comparado a 2024, quando foram registrados 3.437 nascimentos no mesmo período.Os dados são do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) do Ministério da Saúde.Do ponto de vista clínico, a gestação na adolescência é considerada de maior risco porque o corpo da jovem ainda está em desenvolvimento. A pediatra Heloísa Helena Ramos, da Unimed Vitória, explicou que há uma competição por nutrientes entre mãe e bebê.“Há maior carência de vitaminas, maior risco de anemia para a mãe e para o feto, hipertensão na gestação, parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino e recém-nascido de baixo peso”.A pediatra Patrícia Saraiva, do Vitória Apart Hospital, reforçou que, especialmente entre as menores de 15 anos, o risco de complicações como pré-eclâmpsia e até mortalidade materna é mais elevado. “Como é um corpo ainda não maduro, uma gestação que seria tranquila na idade adulta se torna de alto risco”.A ginecologista e obstetra Ana Cristina Lacerda Macedo, do São Bernardo Samp, acrescentou que a imaturidade física e, em alguns casos, a desnutrição, também podem trazer dificuldades no parto e no acompanhamento da gestação.“O pré-natal segue o intervalo normal, mas é interessante ter acompanhamento, além do obstetra, com nutricionista e psicólogo. Também são importantes grupos de apoio”, destacou.A adolescência é uma fase de intensas transformações emocionais e hormonais, e a gravidez pode potencializar inseguranças, baixa autoestima e sofrimento psíquico.A pediatra Mariana Grigoletto, membro da Organização Nacional de Acreditação (ONA), ressaltou que falta informação de qualidade. “A educação sexual deve acontecer na consulta médica, na escola e em casa. É um trio: casa, escola e médico”, analisou a pediatra.Com a gravidez na adolescência, um dos grandes problemas é manter a adolescente na escola. “Muitas têm vergonha, sofrem julgamento e não têm apoio familiar. Isso impacta a vida profissional futura”.Saiba Mais NúmerosEntre janeiro e agosto de 2025, o Brasil registrou 168.713 nascimentos de bebês filhos de mães entre 15 e 19 anos, segundo o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) do Ministério da Saúde.No mesmo período de 2024, foram 179.428, totalizando 261.206 ao longo do ano.Espírito SantoNo Espírito Santo, entre janeiro e agosto de 2025, foram 2.835 nascidos vivos filhos de mães dessa faixa etária. Já em 2024, foram 3.437 no mesmo período do ano.A mãeA gravidez na adolescência é considerada de maior risco porque o corpo ainda está em desenvolvimento.Há maior chance de anemia, hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e eclâmpsia, parto prematuro e complicações no parto, especialmente em meninas mais jovens.No campo emocional, há maior vulnerabilidade para ansiedade, depressão e depressão pós-parto.O bebêO bebê pode nascer prematuro ou com baixo peso devido à competição por nutrientes com a mãe. Também há maior risco de restrição de crescimento intrauterino, necessidade de internação em UTI neonatal, infecções e complicações respiratórias.A ausência ou irregularidade no pré-natal aumenta as chances de intercorrências no nascimento.Gravidez na adolescênciaAlém dos riscos físicos, a gestação precoce impacta a saúde mental, a continuidade dos estudos e o desenvolvimento social.Muitas adolescentes interrompem a trajetória escolar, enfrentam dificuldades financeiras e dependência familiar, o que pode perpetuar ciclos de vulnerabilidade social.A falta de apoio e o estigma também contribuem para o isolamento e o sofrimento emocional.PrevençãoA prevenção precisa ir além do uso do preservativo e outros métodos contraceptivos. É essencial que adolescentes tenham educação sexual estruturada.Embora a camisinha seja fundamental tanto para evitar a gestação quanto para prevenir infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uma abordagem mais ampla, que envolva educação, acesso à informação e suporte emocional é indispensável.GratuitoO Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente métodos contraceptivos, como preservativos, contraceptivos orais e hormonais, DIU de cobre e métodos de longa duração como o implante subdérmico de etonogestrel (Implanon), além de testes rápidos de gravidez e para detecção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).