Yasmin Brunet voltou a falar sobre o lipedema nas redes sociais e compartilhou algumas situações que evita por causa da condição. O relato reacendeu uma dúvida comum entre mulheres que recebem o diagnóstico: o lipedema exige uma série de restrições no dia a dia ou é possível manter uma rotina próxima da habitual? Lipedema: casos de famosas ajudam a identificar sintomas e opções de tratamento Lipedema: Além de Yasmin Brunet, veja outras celebridades que sofrem com a doença A resposta depende dos sintomas e das características de cada paciente. O lipedema é uma doença crônica marcada pelo acúmulo desproporcional de tecido adiposo, geralmente em pernas, quadris e, em alguns casos, braços. Dor, sensibilidade ao toque, sensação de peso e facilidade para desenvolver hematomas também podem aparecer, mas não necessariamente estão presentes da mesma forma em todas as pessoas. Por isso, o diagnóstico, por si só, não determina uma lista de atividades que devem ser abandonadas. Segundo o médico Patrick Ferreira, as adaptações precisam levar em conta a manifestação da doença em cada caso. "Não podemos transformar o lipedema em uma lista generalizada de proibições. Algumas pacientes apresentam dor, peso nas pernas, sensibilidade e desconforto que podem dificultar determinadas atividades, enquanto outras conseguem manter uma rotina bastante ativa. O mais importante é entender o estágio da doença, os sintomas e a resposta daquele organismo. Muitas vezes, não é necessário deixar de fazer algo, mas adaptar frequência, intensidade ou forma de execução", observa. Ter lipedema não significa que a pessoa precisa emagrecer Outra questão que costuma gerar dúvidas é a relação entre lipedema e peso. O aumento de volume causado pela doença não deve ser confundido simplesmente com excesso de peso. Uma mulher pode ter lipedema e obesidade ao mesmo tempo, mas são condições distintas. Essa diferença também ajuda a entender por que a perda de peso pode acontecer de maneira diferente nas diversas regiões do corpo. Uma paciente pode emagrecer e notar mudanças em determinadas áreas, enquanto a desproporção característica do lipedema permanece. Segundo a médica Gabriela Rossmam, que atua na área de emagrecimento, essa expectativa pode gerar frustração e levar a estratégias excessivamente restritivas. "Uma das maiores frustrações pode acontecer quando a paciente emagrece, mas percebe que a desproporção corporal permanece. Isso não significa que o tratamento para controle do peso não esteja funcionando. O tecido afetado pelo lipedema tem características próprias e não podemos tratar a condição simplesmente como gordura localizada ou falta de esforço para emagrecer. Essa compreensão também é importante para reduzir culpa e expectativas irreais", explica. É preciso cortar alimentos? Restrições alimentares também aparecem com frequência entre as recomendações compartilhadas nas redes sociais. Para Gabriela, porém, não há uma relação universal de alimentos que todas as mulheres com lipedema precisem excluir. A alimentação pode fazer parte do acompanhamento da paciente, levando em consideração fatores como composição corporal, saúde metabólica e qualidade de vida. O mais importante é que as escolhas sejam individualizadas e compatíveis com a rotina. "Não existe uma única dieta que sirva para todas as mulheres com lipedema. A alimentação pode fazer parte de uma estratégia para melhorar composição corporal, saúde metabólica e qualidade de vida, mas precisa ser individualizada. Criar uma relação de medo com determinados alimentos ou fazer restrições severas sem indicação pode gerar outros problemas e dificilmente será uma estratégia sustentável no longo prazo", ressalta a médica. Exercício precisa ser adaptado? A prática de atividade física também não precisa ser encarada como algo proibido após o diagnóstico. O tipo de exercício, a intensidade e a frequência podem ser ajustados conforme os sintomas e a resposta de cada paciente. Dor ou piora significativa do desconforto durante uma atividade são sinais de que pode ser necessário rever a forma como o exercício está sendo realizado. Por outro lado, quando não há contraindicação específica, manter o corpo em movimento pode fazer parte do cuidado. "O objetivo é fazer com que a mulher conheça o próprio corpo e encontre estratégias que consiga manter. Se determinada atividade provoca dor ou piora importante dos sintomas, isso merece avaliação e adaptação. O diagnóstico não deve ser encarado automaticamente como uma sentença de limitações. O tratamento precisa justamente buscar mais funcionalidade, conforto e qualidade de vida", conclui Patrick.
Lipedema: o que muda na rotina de Yasmin Brunet e de quem tem a condição?