🌐 WorldLive
Accueil🇧🇷 BrésilActualités

Juca de Oliveira deu dimensão social à arte de encenar o que é humano

Corria o ano de 1976 e, a despeito da distensão política liderada pelo então presidente Ernesto Geisel, ainda vivíamos sob o tacão da censura do governo militar. Eis que, diante da proibição de "Roque Santeiro" no ano anterior, Dias Gomes, inconformado, trouxe para a telenovela o realismo fantástico em voga na América Latina. Para encarnar o protagonista de "Saramandaia", João Gibão —o homem com asas—, quem melhor que Juca de Oliveira? Diante de uma situação insustentável imposta por um grupo radical, Gibão levanta voo e sobrevoa a cidade pernambucana, marcando o fim da opressão que o amordaçava. Embalados por "Pavão Mysteriozo", personagem e ator tornaram-se símbolos da superação dos limites impostos durante o período de cerceamento artístico. Antes disso, porém, o ator já havia liderado o elenco de "Fogo sobre Terra", de Janete Clair, em um papel contundente. Em 1974, tornou-se muito popular na pele de Pedro Azulão, o ecologista que lidera a luta dos camponeses contra a instalação de uma hidrelétrica que inundaria a fictícia Divinéia, no interior do Mato Grosso —inicialmente de forma pacífica, depois incentivando a resistência armada. Foi quando a censura exigiu a prisão de Pedro Azulão, alegando que o personagem estimulava uma guerrilha rural. Janete pretendia matar o protagonista, submerso pela inundação, mas os censores não queriam transformar Pedro Azulão em mártir social e exigiram um final feliz. Decerto, foi o personagem que melhor representou o ator, em sintonia com sua filosofia de vida e com seu olhar crítico sobre um progresso que caminhava para a destruição do homem. Aluno da Escola de Arte Dramática de São Paulo, onde ingressara em 1958, Juca de Oliveira desenvolveu desde cedo a noção da função social do teatro e do papel do ator. Em suas composições, destacavam-se três correntes estéticas de encenadores emblemáticos: Stanislavski (de quem absorveu a memória emotiva), Bertolt Brecht (co...