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Inteligência a serviço do fluxo

Inteligência a serviço do fluxo

Mais rápido. Sala de controle em Manaus: semáforos inteligentes ajudaram a reduzir o tempo de viagem dos motoristas em até 30% Divulgação IMMU MANA De semáforos inteligentes a sistemas de gestão integrada, o uso de inteligência artificial (IA) na mobilidade urbana começa a ganhar tração no Brasil, acompanhando experiências de outros países. Redução de congestionamentos, aumento de previsibilidade nos serviços de transporte e ganho de agilidade na resposta a ocorrências estão entre os efeitos já sentidos com a tecnologia. Ao longo da próxima década, a tendência é que essas soluções sejam incorporadas de forma expressiva tanto no setor público quanto no privado, apesar de desafios como o custo elevado de equipamentos e a necessidade de mão de obra qualificada. A principal vantagem da IA é a capacidade de processar simultaneamente grandes volumes de dados com rapidez e alta precisão. Na análise de imagens captadas por câmeras de monitoramento de trânsito, a tecnologia consegue ir além do alcance do olho humano e não só detectar acidentes e enguiços, mas também extrair informações valiosas para tomadas de decisão — como número e tipo de veículos que cruzam uma via em determinado período e o intervalo entre um automóvel e outro. Em Manaus, desde 2024, as empresas de ônibus urbanos utilizam uma plataforma de gerenciamento com IA para programar rotas e horários da frota que roda na cidade. A solução cruza dados de GPS dos veículos, informações coletadas pelo sistema de bilhetagem eletrônica e imagens de câmeras instaladas nos terminais, entre outras referências, para avaliar quais linhas precisam de reforço e quais viagens podem ser eliminadas por estarem vazias. Como resultado, as viações conseguem evitar lotações, ociosidade e atrasos nos ônibus. A implementação do sistema já reduziu o custo operacional em 15%, uma economia de R$ 4,32 milhões. A ViaQuatro, empresa da Motiva que opera trens em São Paulo, disponibiliza aos passageiros informações sobre a lotação das composições antes mesmo de elas chegarem à plataforma. Em telas instaladas nas estações, os usuários podem visualizar o nível de ocupação de cada vagão e escolher a porta de preferência para embarcar. Isso é possível graças a uma solução de IA desenvolvida pela própria companhia. Todos os trens da linha possuem sensores instalados na suspensão, que reconhecem a pressão exercida sobre os amortecedores. A partir do cruzamento das informações do peso e das imagens de câmeras de monitoramento, a concessionária também avalia a demanda de passageiros e toma decisões sobre a oferta de trens. A IA também está presente em semáforos inteligentes que a Prefeitura de Manaus começou a instalar em 2022, que já representam 48% do total da cidade. Possuem câmeras capazes de detectar o espaçamento entre veículos, acidentes e filas de congestionamento, além de buracos e alagamentos nas vias. Com base nas informações tratadas pela IA, controladores definem parâmetros para programação dos semáforos que, depois, passam a executar sozinhos as alterações, conforme a demanda de tráfego. Nos corredores viários em que a tecnologia foi implantada, o ganho de tempo para os motoristas chega a 30%. O investimento anual da Prefeitura de Manaus na tecnologia para a área de mobilidade urbana é de R$ 17 milhões. Alívio em tempo real Os dados provenientes dos semáforos inteligentes, junto com outros vindos do Google Waze e de câmeras de fiscalização eletrônica, alimentam um sistema de monitoramento de trânsito que utiliza inteligência artificial no tratamento de alertas de ocorrências. No centro de controle do município, essa ferramenta auxilia engenheiros e agentes de trânsito a tomar decisões. — Nos últimos dez anos, houve uma explosão no crescimento da população e da frota, e a infraestrutura não acompanha. A tecnologia serve para dar um alívio e melhorar a mobilidade até que se consiga adotar medidas estruturantes — diz o diretor de Engenharia e Educação para o Trânsito do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana, Uaroldi Guedes. Curitiba, por sua vez, conta com semáforos inteligentes em 50 cruzamentos críticos. Os equipamentos funcionam de forma autônoma, ajustando a programação de acordo com dados sobre o fluxo de trânsito, captados e processados em tempo real por câmeras com IA. Fora do Brasil, o sistema levou a cidade de Pittsburgh, nos EUA, a registrar queda de 40% no tempo médio de espera dos veículos em cruzamentos e de 25% no tempo das viagens, além de diminuição de 21% nas emissões de carbono.