A disputa em torno da dragagem emergencial do rio TapajĂłs, no ParĂĄ, ganhou dimensĂŁo nacional e pode produzir reflexos diretos sobre a economia de Mato Grosso, maior produtor brasileiro de soja e milho. O impasse opĂľe o governo federal, que defende a intervenção para garantir a navegabilidade durante o perĂodo de estiagem, e lideranças indĂgenas e movimentos sociais, que pedem a suspensĂŁo da obra atĂŠ a realização do licenciamento ambiental e da consulta prĂŠvia Ă s comunidades potencialmente afetadas. Na quinta-feira (23), o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva reuniu, no PalĂĄcio do Planalto, representantes indĂgenas, ministros e integrantes de ĂłrgĂŁos federais para discutir o tema. As lideranças entregaram um documento pedindo que o governo suspenda a dragagem e adote medidas voltadas Ă adaptação da AmazĂ ́nia aos eventos climĂĄticos extremos, em vez de priorizar a ampliação da logĂstica de exportação de grĂŁos. Para Mato Grosso, entretanto, a discussĂŁo ultrapassa a questĂŁo ambiental. O rio TapajĂłs integra o chamado Corredor LogĂstico do Arco Norte, uma das principais rotas utilizadas para escoar a produção agrĂcola do Estado atĂŠ os mercados internacionais.  Nos Ăşltimos anos, o avanço dos terminais portuĂĄrios de Miritituba (PA) transformou a hidrovia em uma alternativa estratĂŠgica aos portos de Santos (SP) e ParanaguĂĄ (PR). Grande parte da soja e do milho produzidos no mĂŠdio-norte e norte mato-grossense segue por caminhĂľes atĂŠ Miritituba, onde a carga ĂŠ transferida para barcaças que descem o rio TapajĂłs em direção aos portos de Barcarena e Vila do Conde, de onde partem navios para a China, Europa e outros destinos. Essa mudança reduziu distĂ ̆ncias, diminuiu custos logĂsticos e ampliou a competitividade do agronegĂłcio mato-grossense no mercado internacional. Governo teme paralisação da navegação Segundo estimativas apresentadas pelo governo federal, a ausĂŞncia da dragagem poderĂĄ interromper a navegaĂ...