O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse na quinta-feira (20) em São Paulo que, se for eleito, pode ser um “presidente de transição”. A declaração foi feita ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição no Estado e visto como um nome de projeção nacional para a eleição de 2030. Flávio foi o autor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) pelo fim da reeleição para a Presidência da República. Leia mais Flávio discursou ao lado de Tarcísio durante encontro com empresários e apoiadores em um restaurante na Mooca, na capital paulista. O presidenciável teve outros eventos na Zona Leste pela manhã, ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), em suas primeiras agendas de rua na cidade desde o início da campanha. Tarcísio não participou das atividades anteriores porque estava na sabatina com candidatos a governador promovida pelo Valor, jornal O Globo e CBN. O candidato a presidente enalteceu a gestão de Tarcísio no Estado, reforçando a tentativa de obter uma transferência de votos do aliado para ajudá-lo na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio disse que Tarcísio “entrou para a história” como ministro da Infraestrutura no governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e também à frente do Palácio dos Bandeirantes. “E eu pretendo entrar para a história, Tarcísio. Nem que seja como um presidente de transição. Porque esse Brasil precisa atravessar esse mar revolto nesse momento”, declarou o presidenciável, citando propostas como redução da carga tributária, corte de despesas do governo e reequilíbrio das contas públicas, para baixar a taxa de juros. Ele comparou a eventual reeleição de Lula a um “pesadelo” e disse que, se eleito, quer ter a honra de receber a faixa presidencial de seu pai, que está preso cumprindo pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. Flávio já disse que uma de suas primeiras medidas, caso vença a eleição, será trabalhar, ainda no período de transição do governo, pela aprovação no Congresso da PEC, apresentada por ele em março. O texto pelo fim da reeleição, que tramita no Senado Federal, prevê que a modificação tenha validade já para o mandato presidencial iniciado em 2027. O candidato do PL também incluiu a proposta em seu plano de governo. Horas antes, durante a sabatina, Tarcísio afirmou que o gesto de Flávio de apresentar a PEC não sinaliza um caminho aberto para ele concorrer à Presidência em 2030, “mas sinaliza para todo o grupo” da direita. “Não dá para pensar agora em 2030. Está muito distante e tem muita água para rolar. A gente tem que antes superar 2026, ver como vai ficar o cenário, e muita coisa pode acontecer”, disse. “Acredito que o Flávio sendo eleito, ele vai honrar [o compromisso contra a reeleição], até porque ele é signatário da PEC”, respondeu o governador, colocando-se favorável a uma ampliação na alternância de poder. Ele foi estimulado por setores políticos e econômicos a entrar neste ano na corrida ao Palácio do Planalto, mas manteve o plano de tentar a reeleição em São Paulo depois que Jair Bolsonaro escolheu o primogênito como herdeiro político. No discurso ao lado de Flávio, Tarcísio falou na importância de alinhamento político entre gestores públicos para o andamento de obras e programas, citando sua relação com Nunes e a possibilidade de um apoio maior do governo federal a partir do ano que vem, caso Flávio se eleja. “A gente viveu um tempo de esperança com Jair Messias Bolsonaro e a gente tem a oportunidade de resgatar essa esperança agora, com Flávio liderando esse projeto”, disse o governador. Segundo os organizadores, o evento na Mooca reuniu mais de 450 participantes. Nas agendas anteriores, Flávio foi recebido do lado de fora dos locais por protestos. Os grupos, com dezenas de manifestantes, gritaram palavras de ordem contra Tarcísio e contra o presidenciável, além de levarem cartazes criticando o governo estadual por problemas como letalidade policial. Os participantes disseram ser moradores da periferia e não estar ligados a movimentos ou partidos. A agenda, ao longo da manhã, incluiu uma visita ao Mercado Municipal de São Miguel Paulista e ao Armazém Solidário, criado pela gestão Nunes. Na sequência, foi programada a ida do candidato ao Clube da Comunidade (CDC) Waldemar Moreno, na Vila Formosa. As atividades tiveram a participação de integrantes da prefeitura, além de aliados do grupo político e candidatos de partidos de direita, como os postulantes ao Senado André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP). Em entrevista coletiva, Flávio disse que São Paulo é “estratégica” para sua campanha e agradeceu a Nunes pelo apoio. Ele fez críticas ao governo Lula e buscou relacionar o presidente às investigações envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente e conhecido como Lulinha. Também ironizou a promessa de picanha, ao posar para imagens segurando peças do produto, reforçando o discurso de que o adversário descumpriu a promessa de elevar o padrão de vida dos eleitores. Ele associou Lula ao endividamento e à inflação. “A gente primeiro tem que arrumar a bagunça que o Lula fez. Gasta demais, aumenta os impostos, ‘arregaça’ com a população para arrecadar mais. Está arrecadando como nunca e aumenta ainda mais a despesa. A consequência está aí: juros altos, inflação e comida cara”, afirmou Flávio, ao lado do prefeito. A campanha de Flávio concentra esforços em São Paulo e intensificou a presença dele no Estado, onde há expectativa de que Tarcísio — que está na liderança das pesquisas para o governo e pode vencer ainda no primeiro turno — consiga ajudá-lo com transferência de votos. Nas palavras de um conselheiro do presidenciável, “a eleição está em São Paulo”, já que a disputa contra Lula segue equilibrada e poderá ser decidida por uma fatia minúscula de votos. O Estado é o maior colégio eleitoral do país, com 21,4% do eleitorado nacional e 34,1 milhões de pessoas aptas a votar em outubro. A avaliação no entorno de Flávio é que a capital paulista e a região metropolitana concentram um número elevado de eleitores, com potencial até mesmo para decidir o pleito. Ao ser questionado sobre “Dark Horse”, Flávio respondeu que considera o assunto “página virada” e insistiu que a prestação de contas da produção foi feita e “estava tudo certinho”, ao contrário do que afirmam seus adversários. “Agora, quem tem que prestar conta é o Lula, não sou eu”, emendou, buscando vincular o petista ao caso do Banco Master. “Quem tem que dar a explicação é o Lula. Quem tem que dar a explicação é o Lulinha”, disse. --- O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, disse nesta quinta-feira (20) em São Paulo que, se for eleito, pode ser um "presidente de transição". A declaração foi feita ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é candidato à reeleição no Estado e visto como um nome de projeção nacional para a eleição de 2030. Flávio foi o autor de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) pelo fim da reeleição para a Presidência da República. Flávio discursou ao lado de Tarcísio durante um encontro com empresários e apoiadores em um restaurante na Mooca, na capital paulista. O presidenciável teve outros eventos na zona leste pela manhã, ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), em suas primeiras agendas de rua na cidade desde o início da campanha. Tarcísio não participou das atividades anteriores porque estava na sabatina com candidatos a governador promovida pelo Valor, jornal O Globo e CBN. O candidato a presidente enalteceu a gestão de Tarcísio no Estado, reforçando a tentativa de obter uma transferência de votos do aliado para ajudá-lo na disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Flávio disse que Tarcísio "entrou para a história" como ministro da Infraestrutura no governo de seu pai, Jair Bolsonaro, e também à frente do Palácio dos Bandeirantes. "E eu pretendo entrar para a história, Tarcísio. Nem que seja como um presidente de transição. Porque esse Brasil precisa atravessar esse mar revolto nesse momento", declarou o presidenciável, citando propostas como redução da carga tributária, corte de despesas do governo e reequilíbrio das contas públicas, para baixar a taxa de juros. Ele comparou a eventual reeleição de Lula a um "pesadelo" e disse que, se eleito, quer ter a honra de receber a faixa presidencial de seu pai, que está preso cumprindo pena de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado. PEC contra reeleição Flávio já disse que uma de suas primeiras medidas, caso vença a eleição, será trabalhar, ainda no período de transição do governo, pela aprovação, no Congresso, da PEC, apresentada por ele em março. O texto pelo fim da reeleição, que tramita no Senado, prevê que a modificação tenha validade já para o mandato presidencial iniciado em 2027. O candidato do PL também incluiu a proposta em seu plano de governo. Horas antes, durante a sabatina, Tarcísio afirmou que o gesto de Flávio de apresentar a PEC não sinaliza um caminho aberto para ele concorrer à Presidência em 2030, "mas sinaliza para todo o grupo" da direita. "Não dá para pensar, agora, em 2030. Está muito distante e tem muita água para rolar. A gente tem que antes superar 2026, ver como vai ficar o cenário, e muita coisa pode acontecer", disse. "Acredito que o Flávio sendo eleito, ele vai honrar [o compromisso contra a reeleição], até porque ele é signatário da PEC", respondeu o governador, colocando-se favorável a uma ampliação na alternância de poder. Ele foi estimulado por setores políticos e econômicos a entrar neste ano na corrida ao Palácio do Planalto, mas manteve o plano de tentar a reeleição em São Paulo depois que Jair Bolsonaro escolheu o primogênito como herdeiro político. No discurso ao lado de Flávio, Tarcísio falou na importância de alinhamento político entre gestores públicos para o andamento de obras e programas, citando sua relação com Nunes e a possibilidade de um apoio maior do governo federal a partir do ano que vem, caso Flávio se eleja. "A gente viveu um tempo de esperança com Jair Messias Bolsonaro e a gente tem a oportunidade de resgatar essa esperança, agora, com Flávio liderando esse projeto", disse o governador. Segundo os organizadores, o evento na Mooca reuniu mais de 450 participantes. Nas agendas anteriores, Flávio foi recebido do lado de fora dos locais por protestos. Os grupos, com dezenas de manifestantes, gritaram palavras de ordem contra Tarcísio e contra o presidenciável, além de levarem cartazes criticando o governo estadual por problemas como letalidade policial. Os participantes disseram ser moradores da periferia e não estar ligados a movimentos ou partidos.
Flávio diz que pode ser um ‘presidente de transição’