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Empresas de fachada e fraudes financeiras desafiam segurança do agronegócio em Mato Grosso

Empresas de fachada e fraudes financeiras desafiam segurança do agronegócio em Mato Grosso

A segunda fase da Operação Safra Desviada, deflagrada nesta sexta-feira (24) pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), expĂ ́s mais uma vez a sofisticação dos crimes financeiros que vĂŞm atingindo o agronegĂłcio mato-grossense. Muito alĂŠm do furto de cargas ou do roubo de defensivos agrĂ­colas, organizaçþes criminosas passaram a atuar com estruturas empresariais, contratos aparentemente regulares e operaçþes financeiras complexas para desviar recursos milionĂĄrios do setor. Nesta etapa da investigação, a Justiça determinou o bloqueio de ativos financeiros, a indisponibilidade de imĂłveis, o sequestro de uma aeronave e de trĂŞs veĂ­culos de alto valor, alĂŠm da quebra dos sigilos bancĂĄrio e fiscal de dez pessoas fĂ­sicas e jurĂ­dicas. As medidas foram cumpridas em municĂ­pios de Mato Grosso e SĂŁo Paulo, onde estariam concentrados integrantes do grupo investigado. Segundo o Gaeco, o esquema utilizava empresas de fachada e movimentaçþes financeiras para obter vantagens ilĂ­citas em operaçþes ligadas ao setor algodoeiro. Os investigados tambĂŠm sĂŁo suspeitos de adotar mecanismos destinados a dificultar a identificação do patrimĂ ́nio e impedir o avanço das investigaçþes, estratĂŠgia frequentemente utilizada por organizaçþes voltadas Ă lavagem de dinheiro. Embora o foco da investigação esteja concentrado em operaçþes comerciais envolvendo algodĂŁo, especialistas afirmam que o modelo pode ser reproduzido em diferentes segmentos do agronegĂłcio. A elevada circulação de recursos, a participação de intermediĂĄrios, a utilização de pessoas jurĂ­dicas e a rapidez das negociaçþes tornam o setor vulnerĂĄvel quando nĂŁo hĂĄ mecanismos eficientes de verificação da capacidade financeira e da idoneidade dos parceiros comerciais. A Operação Safra Desviada teve inĂ­cio em fevereiro deste ano. Na primeira fase, o Gaeco apurou prejuĂ­zos estimados em R$ 140 milhĂľes ao Grupo Lermen e a outras empresas do agronegĂłcio...