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Conheça Stephanie Cavalli, a modelo de 50 anos que abriu o desfile de alta-costura de Matthieu Blazy para Chanel

Conheça Stephanie Cavalli, a modelo de 50 anos que abriu o desfile de alta-costura de Matthieu Blazy para Chanel

Entre as incontáveis curiosidades a respeito do début de Matthieu Blazy para a alta-costura da Chanel, estava a da identidade da modelo que abriu a apresentação. Estamos falando de Stephanie Cavalli, escolhida por sua elegância e belíssimos cabelos grisalhos. A sua é uma história de crescimento e de uma beleza que floresce aos 50 anos, idade que, segundo ela, "tem se plena consciência da própria feminilidade”.Stephanie trabalhou como modelo em tempo integral até os 38 anos, quando decidiu parar. “Eu estava em uma idade intermediária: velha demais para esse trabalho e jovem demais para a categoria ‘modelos maduras’, como somos chamadas hoje.” Passou então a se dedicar ao seu negócio de curadoria de roupas vintage e objetos de antiquário — uma fase essencial para o seu crescimento pessoal. “Acredito que eu precisava parar. Ser modelo nos anos 1990 e 2000 foi maravilhoso, mas também muito difícil. Me diziam o tempo todo como eu deveria parecer e quem eu deveria ser. Comecei aos 22, 23 anos, e sugeriam que eu dissesse ter 18, porque, na minha idade, eu já era vista como velha demais.” Após deixar as passarelas, Stephanie retomou o controle da própria imagem — chegou inclusive a raspar os cabelos — e passou a trabalhar profundamente o autoconhecimento.Stephanie CavalliGetty ImagesA modelo fala com a Vogue de sua boutique vintage, La Garçonne, localizada no interior do estado de Nova York, a algumas horas ao norte da cidade, onde vive cercada pela floresta com o marido italiano, que é tatuador, e a família. Stephanie usa um óculos de armação grande e ostenta lindos cabelos grisalhos curtos — os mesmos que chamaram a atenção no desfile Chanel Métiers d’Art 2026. Nos cumprimenta na chamada com um sorriso doce e um sotaque irresistível. “Dá para perceber que sou romana?”, pergunta, rindo. Nascida em Ostia, filha de pai italiano e mãe de Guadalupe, ela se mudou para os Estados Unidos aos 26 anos.O retorno às passarelas para a Chanel: “Matthieu Blazy me disse que eu abriria a alta-costura”Chanel, pre-fall 2026Launchmetrics/SpotlightEm 2020, já com 40 anos, o fotógrafo Bill Westmoreland sugeriu que ela se apresentasse à Iconic Focus, agência especializada em modelos acima dos 40 e 50 anos. Assim, Stephanie voltou à profissão. “Essa longa pausa foi fundamental para entender que, agora, aos 50 anos, posso ser uma modelo com identidade e narrativa próprias. Não preciso seguir as diretrizes de ninguém, posso ser eu mesma, e não o que o mercado quer.”Stephanie foi escolhida para abrir o desfile de alta-costura verão 2026 da Chanel por Matthieu Blazy. “Descobri durante as provas. Eu já estava felicíssima por ter sido chamada pela segunda vez, mas quando Matthieu veio me contar, fiquei nas nuvens. Ele se aproximou e disse: ‘Desde que te vi desfilar no métiers d’art, decidi que seria você a abrir a alta-costura’. Aquilo aqueceu meu coração. Foi uma demonstração de confiança incrível, pela qual sou muito grata.”Diversidade etária e pluraridade de corpos: “É importante continuar falando sobre isso”Mais do que tudo, Cavalli se mostra grata pelo momento histórico atual. “Logo após o desfile, ao ver a quantidade de conteúdos publicados e a atenção dada à diversidade etária na Chanel, percebi o quanto foi grandioso, bonito e importante que a maison tenha colocado na alta-costura mulheres de diferentes idades. É bonito ver como a mentalidade mudou, o fato de que hoje você pode ser você mesma.”Segundo ela, isso se trata de uma evolução que pode avançar mais rapidamente ou mais lentamente, mas que é real e perceptível. “Costumamos dizer, entre colegas da mesma idade, que este é o melhor momento para ter 50 anos e ser modelo.” Ainda assim, como ocorre frequentemente na moda, tanto a diversidade etária quanto a pluraridade de corpos estão sujeitas a ciclos. “São tendências que vão e vêm. Hoje existem, amanhã podem desaparecer, para depois retornar. Podem dar um passo à frente e três para trás. Mas tenho confiança no futuro, porque há atenção e interesse por esses temas — e é importante continuar falando sobre eles.”Stephanie CavalliGetty ImagesOutro ponto de destaque na passarela foram seus cabelos brancos. “Decidi parar de pintá-los durante a pandemia. Parecia o momento certo para enfrentar a transição para os fios grisalhos.” A decisão trouxe resultados positivos. “Meus cabelos renasceram, nunca estiveram tão saudáveis e bonitos.” Para Stephanie, a beleza deve ser buscada na pureza e na simplicidade. “Ela está na limpeza das pessoas e de cada coisa. É uma simplicidade aparente que esconde um mundo por trás. Como o vestido da Chanel que usei na alta-costura: parecia simples, mas tinha inúmeros detalhes e um cuidado extremo na confecção.” A mesma beleza, segundo ela, está na floresta onde vive. “Posso rodar o mundo, mas preciso voltar para cá para reencontrar a beleza.”A evolução de uma mulher: aos 50 anos, a consciência de si e a possibilidade de florescerStephanie Cavalli@ksenya_poggenpohlRevistas NewsletterQuestionada sobre um ensinamento de vida ou um conselho para outras mulheres, Stephanie respondeu com simplicidade e profundidade. “Estou vivendo uma evolução pessoal muito intensa. No ano passado, li um livro que me marcou e que sempre recomendo às mulheres de quem gosto: 'A Arte da Alegria', de Goliarda Sapienza.” O livro lhe foi presenteado por Iris Bianchi, modelo muito conhecida nos anos 1950.“A obra conta a história de uma mulher siciliana que é completamente ela mesma, com qualidades e defeitos, e que alcança uma plena consciência pessoal. Isso despertou em mim o desejo de buscar dentro de mim todo o potencial que cada um de nós tem e de colocá-lo para fora. Todos temos um enorme potencial, mas traumas e experiências da vida acabam nos bloqueando.”Para Stephanie, é fundamental entender o que nos trava — e aprender a deixar isso de lado para conseguir florescer. “Estou fazendo isso aos 50 anos, não aos 20, e acho lindo. Eu me olho e digo: ‘Tenho 50 anos — que coisa incrível ainda ter tanto a descobrir e a expressar’. Essa consciência me entusiasma e me deixa curiosa sobre o que o futuro reserva.” Um futuro que, espera-se, inclua também vê-la desfilar na próxima semana de moda de Milão.