A inflação de março registrou alta de 0,88%, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e EstatĂstica (IBGE), elevando o Ăndice acumulado nos Ăşltimos 12 meses para 4,14%. Apesar do avanço, a inflação permanece dentro do intervalo da meta do Banco Central, cujo teto ĂŠ de 4,5%. A gerente de Desenvolvimento Industrial da Federação das IndĂşstrias de Mato Grosso (Fiemt) e do ObservatĂłrio de Mato Grosso, Vanessa Gasch, alerta que o Ăndice acelerou no Ăşltimo mĂŞs, impulsionado por tensĂľes geopolĂticas recentes, especialmente o conflito entre Estados Unidos e IrĂŁ. O cenĂĄrio tem impactado principalmente os preços do petrĂłleo e seus derivados, como o Ăłleo diesel e a gasolina, itens que mais pressionaram a inflação em março. “O Oriente MĂŠdio tem um peso muito importante na produção de petrĂłleo, e pelo Estreito de Ormuz passa grande parte desse volume, o que acaba mexendo com os preços. Com o dĂłlar ĂŠ a mesma coisa: essa instabilidade geopolĂtica impacta a moeda aqui no Brasilâ€, explica Gasch, que tambĂŠm ĂŠ economista. Esse contexto afeta diretamente a indĂşstria de Mato Grosso, que depende majoritariamente do modal rodoviĂĄrio para escoar os produtos finais e adquirir seus insumos. Com a pressĂŁo sobre o valor do frete, os custos operacionais das empresas tambĂŠm aumentam. “Pode ocorrer uma redução de margem para a indĂşstria ou atĂŠ mesmo ela se ver na posição de repassar esses custos. Isso pode gerar um efeito cascata, que nĂŁo se limita Ă indĂşstria, mas tambĂŠm atinge o comĂŠrcio. Com combustĂveis e fretes mais caros, os produtos chegam mais caros ao consumidor final, pressionando ainda mais a inflaçãoâ€, alerta Gasch. PREÇO DOS ALIMENTOS - Depois do grupo Transportes, que registrou alta de 1,64%, o segundo maior impacto veio de Alimentação e bebidas, com aumento de 1,58%. Vanessa Gasch explica que os preços de alguns alimentos foram impulsionados por problemas nas safras, ocasionado pelo clima, alĂŠ...