Fala, Galera! Romário na área! Nessa semana, vimos mais uma vez um predomínio dos clubes brasileiros nas competições sul-americanas, o que já virou rotina. Desde 2019, só brasileiros ganharam a Libertadores. Apenas o Flamengo ganhou três vezes nesse período. Times tradicionais do continente, especialmente os grandes argentinos como River e Boca, não conseguem mais enfrentar de igual para igual os maiores do Brasil. A real é que as competições da Conmebol, sobretudo a Libertadores, têm virado uma espécie de Copa do Brasil premium. Dos seis brasileiros que disputaram a fase de grupos da maior competição de clubes do continente, todos se classificaram à segunda fase. Nessa semana, só o Mirassol foi eliminado por um estrangeiro, e num jogo em que o time paulista foi superior ao equatoriano LDU. O Cruzeiro só saiu porque pegou o melhor time brasileiro do momento, de cara. Mas mostrou futebol para passar por qualquer outro adversário. O Flamengo, mais uma vez e contra o Cruzeiro sobrou em campo. O primeiro tempo foi avassalador. Foi o melhor jogo que houve no pós-Copa, deu até pra matar um pouco a ressaca das boas partidas do Mundial. Aliás, o que não faltava em campo era jogador de Copa do Mundo. Jogaço! Já o Palmeiras teve mais dificuldade para eliminar o Cerro, do Paraguai, mesmo tendo um elenco bastante superior. O time de Abel foi bem pragmático, com muito jogo aéreo e futebol de resultado. Mas como tem grandes jogadores, é de se esperar que subam de produção. Há grandes chances de termos Flamengo x Palmeiras na final mais uma vez, no que seria a terceira em seis edições. Na Copa Sul-americana não é diferente. São também quatro brasileiros entre os oito classificados. E só não tivemos mais por que houve confronto direto. Entre os cariocas, o Vasco brilhou, o Botafogo decepcionou. A verdade é que há, hoje, uma disparidade econômica dos clubes no continente. O campeonato brasileiro paga muito mais pelos direitos do que os demais. Incluindo o argentino, cujos clubes têm uma torcida fanática, mas que não conseguem, na média, competir em receitas com os brasileiros. Nos contratos de patrocínio não é diferente. A mesma empresa, Betano, paga oito vezes mais ao Flamengo do que ao River Plate pelo mesmo espaço na camisa. A grana faz a diferença! Estudar o quê? Na recente Copa do Mundo participei de programas de tevê, entre eles um com o parceiro Benjamin Back, que toca o Canal do Benja, no Youtube. Ao vivo, antes de um dos jogos da seleção brasileira, Benja me provocou com uma pergunta esquisita. O papo foi mais ou menos assim: — Ô Romário, você estudava os adversários? — Como estudava? Estudar o quê? — respondi. — Tipo assim, quando você ia jogar contra uma seleção procurava saber o estilo... — Claro que não! Não estudava ninguém, pô! Não estudava nem na escola, ia estudar adversário? A gargalhada foi geral. Mas era isso mesmo, eu resolvia na hora qual a melhor forma de concluir uma jogada. Tudo no reflexo. Quem “estudar” a minha carreira vai ver que deu certo.
Coluna do Romário: Libertadores virou uma Copa do Brasil premium