Walter Casagrande Júnior, aos 62 anos, escolheu "Sujeito de Sorte", uma das canções de Belchior, para abrir e fechar a peça-palestra "Na Marca do Pênalti", que teve estreia nacional nesta sexta-feira (3) no Festival de Curitiba."Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro", ele repetiu para o público que lotou o Teatro Guaíra, conhecido como o "Maracanã dos teatros", com os seus 2.800 lugares.Durante uma hora e meia, o ex-jogador falou sobre a trajetória no futebol, lembrou o drama da dependência química e chorou ao contar que foi para o amigo Sócrates que fez sua primeira declaração de amor, em um encontro no Arena SporTV. "Pô, eu te amo", disse."Não havia falado isso para nenhuma namorada nem para a minha ex-mulher. Eu guardava, não tinha forças, não tinha estrutura para falar o que sentia", afirma. Daquele dia em diante, decidiu não esconder mais as emoções, uma estratégia que fez parte de sua recuperação após um ano internado em uma clínica para dependentes químicos.Sozinho no palco, usando calça jeans, camiseta preta, tênis e óculos escuros, Casagrande pôs em prática a decisão. Ele emendou uma história na outra, quase sem pausa, guiado por fotos e vídeos que aparecem em um telão.A proximidade com as artes cênicas está relacionada ao tratamento, iniciado em 2007, após um acidente de carro na Lapa, zona oeste de São Paulo. Ele se tornou um frequentador assíduo dos teatros e cinemas por orientação da equipe médica. Conta que trocou o prazer falso do consumo de drogas pela arte. O salto da plateia para o palco aconteceu a partir de um convite do diretor Fernando Philbert. Os dois conversaram após um espetáculo e Philbert teve a intuição de que o ex-jogador ficaria à vontade ao contar sua trajetória ao vivo."Acredito que o teatro é que escolhe tudo, sou dessa linha", diz o diretor. "É como o [Augusto] Boal dizia, todos nós somos atores. Todos escolhemos a nossa roupa, fazemos o nosso texto."Sem roteiro, tex...
Casagrande conta histórias sobre Sócrates, Rita Lee e Baby do Brasil no teatro