Carla Marins fez 57 anos no dia 7 de junho. Semanas antes, havia se despedido de Xênica, a relações-públicas da Fundação Ferette em Três Graças, papel que marcou seu retorno às novelas da Globo depois de doze anos longe das tramas inéditas. A atriz não trata o intervalo como ausência, e sim como tempo de obra. "Esse retorno confirmou minha paixão pela dinâmica de fazer televisão, e um entendimento ainda maior do meu ofício", diz em entrevista à Vogue Brasil. Os doze anos foram ocupados por streaming, teatro e pela maternidade, que ela viveu aos 40. De tudo isso, é a maternidade que ela aponta como a virada. "Foi sem dúvida uma grande virada pessoal que me proporcionou crescimento, profundidade e uma maior conexão comigo mesma e com o mundo que me cerca." A segunda virada veio mais tarde, e é dela que Carla fala com mais detalhe. Aos 55 anos, começou um processo de autorreflexão que descreve como ajuste de rota: terapia, meditação e a decisão de parar de beber álcool, que sustenta há três anos. "O ganho tem sido enorme: maior conexão comigo mesma, entendimento e aceitação das minhas escolhas." Carla Marins Divulgação Estar bem na própria pele, para ela, virou trabalho interno antes de qualquer outra coisa. É uma posição que se nota pelo que ela não diz. Casada desde 2006 com um personal trainer, Carla mantém rotina de atividade física e fala dela com frequência, mas o corpo, no seu vocabulário atual, deixou de ser vitrine. O que importa é o que ele permite. Energia e potência para as próximas décadas, não aparência. A meia-idade, nessa leitura, é menos sobre conservar e mais sobre escolher o que fica. Selecionar uma imagem Essa clareza tem um alvo. Carla observa que a televisão ainda hesita em colocar mulheres maduras no centro das histórias, e não vê o sucesso de Três Graças como acaso. "Ainda há etarismo, e espero que essa produção alerte os produtores e diretores sobre a importância da diversidade de gerações em uma obra. O público é diverso e precisa se ver representado. O sucesso da novela comprova isso." A frase tem peso vindo de quem entra na casa dos brasileiros desde os 17 anos, quando estreou em Hipertensão, em 1986. Carla Marins Divulgação Foi parte dessa aposta na maturidade que Xênica encarnou. O convite partiu de Aguinaldo Silva, com quem ela já havia feito Porto dos Milagres, ao lado do diretor artístico Luiz Henrique Rios. A relação com os dois pesou antes da personagem. Depois veio o encantamento com a figura, que ela define como um misto de loba e mãe. "O lado mãe dedicada eu já sabia, mas o lado loba me surpreendeu." A personagem cresceu ao longo da trama, e Carla credita isso à natureza do formato. "Novela é obra aberta, e contamos com o público como parceiro. Novela é maratona, não 100 metros rasos." Da experiência, guardou o encontro com Túlio Starling, que interpretou seu filho. "Eu amei nossas cenas e a relação que construímos de mãe solo e filho mais que amado." Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
Carla Marins: "Ainda há etarismo, e o público precisa se ver representado"