Em uma demonstração de solidariedade durante a sessão legislativa em Teerã, neste domingo (1), os parlamentares vestiram o uniforme verde da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e entoaram cânticos como "Morte à América", "Morte a Israel" e "Vergonha para você, Europa", conforme mostraram imagens da televisão estatal. Criticando duramente a "ação irresponsável" do bloco europeu, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que, de acordo com o "Artigo 7 da Lei sobre Contramedidas contra a Declaração da Guarda Revolucionária Islâmica como Organização Terrorista, os exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas".Saiba mais: enviado dos EUA relata conversas ‘construtivas’ com Rússia sobre UcrâniaGrammy 2026: saiba quem são os concorrentes de Caetano Veloso e Maria Bethânia, únicos brasileiros indicadosPermanecia incerto qual seria o impacto imediato da decisão.A lei foi aprovada pela primeira vez em 2019, quando os Estados Unidos classificaram a Guarda Nacional como uma organização terrorista.A sessão de domingo ocorreu no 47o aniversário do retorno do exílio do falecido Aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da república islâmica em 1979.A Guarda Revolucionária é o braço ideológico das forças armadas iranianas, encarregada de proteger a revolução islâmica de ameaças externas e internas. Eles foram acusados por governos ocidentais de orquestrar uma repressão a um movimento de protesto recente que deixou milhares de mortos.Teerã atribuiu a violência a "atos terroristas" fomentados pelos Estados Unidos e por Israel.A União Europeia concordou na quinta-feira em incluir a entidade na lista de "organizações terroristas" devido à sua resposta aos protestos. A medida correspondeu a classificações semelhantes adotadas pelos Estados Unidos, Canadá e Austrália.Ghalibaf afirmou que a decisão, "que foi tomada em conformidade com as ordens do presidente americano e dos líderes do regime sionista, acelerou o caminho da Europa para se tornar irrelevante na futura ordem mundial". Ele acrescentou que a medida apenas aumentou o apoio interno à Guarda.Ameaças e diálogoA sessão legislativa ocorreu em um momento em que o Irã e os Estados Unidos trocaram advertências e ameaças de uma possível ação militar. A resposta de Teerã aos protestos levou o presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar intervir, enviando um grupo de porta-aviões para a região. Nos últimos dias, porém, ambos os lados têm insistido que continuam dispostos a conversar.— Ao contrário do alarde criado pela guerra midiática fabricada, os arranjos estruturais para as negociações estão progredindo — disse Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, no sábado.Mais tarde, Trump confirmou que o diálogo estava em andamento, mas sem retirar suas ameaças anteriores. Ele disse à Fox News que o Irã estava "conversando conosco e veremos se podemos fazer algo, caso contrário, veremos o que acontece... temos uma grande frota a caminho de lá".Trump já afirmou acreditar que o Irã fará um acordo sobre seus programas nuclear e de mísseis em vez de enfrentar uma ação militar dos EUA.Enquanto isso, Teerã afirmou estar pronta para negociações nucleares caso suas capacidades de mísseis e defesa não estejam na pauta.O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou no sábado que "uma guerra não seria do interesse nem do Irã, nem dos Estados Unidos, nem da região", durante uma conversa telefônica com seu homólogo egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, segundo o gabinete de Pezeshkian.O primeiro-ministro do Catar, Sheikh Mohammed bin Abdulrahman Al, que também atua como ministro das Relações Exteriores, realizou conversas no Irã no sábado para tentar "reduzir as tensões", disse o Ministério das Relações Exteriores do reino.Firouzeh, uma dona de casa de 43 anos que preferiu não revelar seu nome completo, disse que as tensões recentes a deixaram "muito preocupada e assustada":—Ultimamente, tudo o que faço é assistir ao noticiário até pegar no sono. Às vezes, acordo no meio da noite para conferir as atualizações.
Irã declara exércitos europeus como 'grupos terroristas'