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Batalha da criatividade: Pesquisadores comparam imaginação de IA à de 100 mil humanos

Batalha da criatividade: Pesquisadores comparam imaginação de IA à de 100 mil humanos

Sistemas de inteligência artificial generativa já conseguem superar o desempenho criativo médio de seres humanos em tarefas específicas, mas ainda ficam atrás das pessoas mais imaginativas. Essa é a principal conclusão de um estudo inédito, que comparou diretamente a criatividade de modelos de linguagem, como o ChatGPT, com a de mais de 100 mil participantes humanos.Ferramenta de IA Claude Code já é usada para facilitar tarefas domésticas e criar alerta de emergênciaEntenda: Grok, de Musk, é alvo de investigação da UE por imagens sexualizadas falsas geradas por IAA pesquisa, liderada pelo professor Karim Jerbi, do Departamento de Psicologia da Universidade de Montreal, no Canadá, e que contou com a participação do renomado pesquisador de IA Yoshua Bengio, é a maior já realizada nesse tipo de comparação. O trabalho foi publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature Portfolio, e indica uma mudança significativa na forma como a criatividade artificial deve ser entendida.Segundo os autores, sistemas de IA generativa já atingiram um patamar em que conseguem superar o desempenho médio humano em algumas métricas de criatividade. Ao mesmo tempo, os indivíduos mais criativos mantêm uma vantagem clara e consistente sobre até mesmo os modelos mais avançados.“Nosso estudo mostra que alguns sistemas de IA baseados em grandes modelos de linguagem agora conseguem superar a criatividade média humana em tarefas bem definidas”, afirma Karim Jerbi. “Esse resultado pode ser surpreendente — até perturbador —, mas nossa pesquisa também destaca uma observação igualmente importante: mesmo os melhores sistemas de IA ainda ficam aquém dos níveis alcançados pelos humanos mais criativos”.Saiba mais: boom dos data centers até 2030 pode ter impacto ambiental comparável ao de 415 mil carros movidos a gasolinaTestes com mais de 100 mil pessoasOs pesquisadores avaliaram diversos modelos líderes de linguagem, entre eles ChatGPT, Claude e Gemini, e compararam seus resultados com os de mais de 100 mil participantes humanos. Em tarefas voltadas à chamada criatividade linguística divergente — capacidade de gerar ideias diversas e originais a partir de um mesmo estímulo — alguns sistemas de IA, como o GPT-4, superaram a média humana.A análise detalhada, conduzida pelos co-primeiros autores do estudo, o pesquisador de pós-doutorado Antoine Bellemare-Pépin, da Universidade de Montreal, e o doutorando François Lespinasse, da Universidade Concordia, revelou um padrão claro: embora a IA já ultrapasse o desempenho médio das pessoas, o pico da criatividade continua sendo exclusivamente humano.Quando os cientistas analisaram apenas a metade mais criativa dos participantes, a média desses indivíduos superou a de todos os modelos de IA testados. A diferença tornou-se ainda mais acentuada entre os 10% mais criativos.WhatsApp tem lixeira? Saiba como recuperar arquivos e conversas“Desenvolvemos um arcabouço rigoroso que nos permite comparar a criatividade humana e a da IA usando as mesmas ferramentas, com base em dados de mais de 100 mil participantes, em colaboração com Jay Olson, da Universidade de Toronto”, explica Jerbi, que também é professor associado do instituto Mila.Como medir criatividade em humanos e máquinasPara avaliar a criatividade de forma justa, a equipe utilizou múltiplos métodos. O principal foi o Divergent Association Task (DAT), um teste psicológico amplamente utilizado para medir criatividade divergente.Criado pelo coautor do estudo Jay Olson, o DAT pede que participantes — humanos ou sistemas de IA — listem dez palavras o mais distantes possível em termos de significado. Um exemplo de resposta altamente criativa inclui termos como “galáxia, garfo, liberdade, alga, harmônica, quântico, nostalgia, veludo, furacão, fotossíntese”.De olho: Ação judicial que inclui o Brasil afirma que Meta viola privacidade e pode ver conversas do WhatsApp de usuáriosO desempenho nessa tarefa está fortemente associado a resultados em outros testes consolidados de criatividade, usados em escrita, geração de ideias e resolução criativa de problemas. Embora seja baseado em linguagem, o DAT vai além do vocabulário, envolvendo processos cognitivos mais amplos ligados ao pensamento criativo em diferentes áreas. Além disso, o teste é rápido, leva de dois a quatro minutos, e pode ser aplicado on-line.Da lista de palavras à escrita criativaOs pesquisadores também investigaram se o bom desempenho da IA em tarefas simples de associação de palavras se estenderia a atividades criativas mais complexas e realistas. Para isso, compararam humanos e sistemas de IA em desafios como a composição de haicais, a escrita de sinopses de filmes e a criação de contos curtos.Os resultados seguiram o mesmo padrão: a IA, em alguns casos, superou o desempenho médio humano, mas os criadores humanos mais habilidosos produziram trabalhos mais fortes e originais de forma consistente.Criatividade artificial pode ser ajustadaO estudo também analisou se a criatividade da IA é fixa ou pode ser modulada. Os pesquisadores demonstraram que ela pode ser ajustada por meio de configurações técnicas, especialmente o chamado “parâmetro de temperatura” do modelo, que controla o quão previsíveis ou ousadas são as respostas geradas.Em temperaturas mais baixas, a IA tende a produzir respostas mais seguras e convencionais. Em níveis mais altos, as saídas tornam-se mais variadas, imprevisíveis e exploratórias, permitindo associações menos óbvias.Outro fator decisivo é a forma como as instruções são escritas. Comandos que incentivam o modelo a refletir sobre a origem e a estrutura das palavras, usando etimologia, por exemplo, resultam em associações mais inesperadas e pontuações mais altas de criatividade. Os achados reforçam que a criatividade da IA depende fortemente da orientação humana.A IA vai substituir criadores humanos?Os autores adotam uma visão equilibrada sobre o temor de que a inteligência artificial substitua profissionais criativos. Embora a IA já consiga igualar ou superar a criatividade média humana em algumas tarefas, ela ainda apresenta limitações claras e depende da direção humana.“Mesmo que a IA agora alcance níveis humanos de criatividade em certos testes, precisamos ir além dessa sensação enganosa de competição”, diz Jerbi. “A IA generativa tornou-se, acima de tudo, uma ferramenta extremamente poderosa a serviço da criatividade humana: ela não substituirá os criadores, mas transformará profundamente a forma como eles imaginam, exploram e criam — para aqueles que escolherem usá-la”.Em vez de sinalizar o fim das carreiras criativas, o estudo aponta para um futuro em que a IA funcione como assistente criativa, ampliando ideias e abrindo novos caminhos de exploração.“Ao confrontar diretamente as capacidades humanas e das máquinas, estudos como o nosso nos levam a repensar o que realmente entendemos por criatividade”, conclui Jerbi.Sobre o estudoO artigo, intitulado “Divergent creativity in humans and large language models”, foi publicado em 21 de janeiro de 2026 na revista Scientific Reports. A pesquisa reuniu cientistas da Universidade de Montreal, Universidade Concordia, Universidade de Toronto Mississauga, do instituto Mila (Instituto de Inteligência Artificial de Quebec) e do Google DeepMind.Karim Jerbi liderou o estudo, com Antoine Bellemare-Pépin e François Lespinasse como co-primeiros autores. A equipe incluiu ainda Yoshua Bengio, fundador do Mila e da organização LoiZéro, e um dos pioneiros do deep learning, tecnologia que sustenta sistemas modernos de IA como o ChatGPT.

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